Majed Jaber/Reuters
Majed Jaber/Reuters

Desertores têm bases no Líbano e na Turquia

Eles admitem, no entanto, que são incapazes de confrontar a força militar síria, estimada em mais de 200 mil soldados

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2011 | 03h06

DAMASCO - Formado por soldados desertores, o Exército Livre da Síria intitula-se o braço militar da oposição ao presidente Bashar Assad. O grupo afirma ter mais de 15 mil membros - número considerado exagerado. Entretanto, desertores admitem que são incapazes de confrontar a força militar síria, estimada em mais de 200 mil soldados.

O Exército Livre da Síria não controla nenhum território, e suas operações são coordenadas em dois grandes acampamentos - no leste do Líbano e no sudeste da Turquia, ambos na região de fronteira com a Síria. O Exército Livre afirma ter 22 batalhões em toda a Síria e diz ser particularmente forte nos arredores de Deraa, no sul do país, e em Homs, no centro. O líder do grupo desertor, coronel Riyad al-Asaad, disse que, na semana passada, cerca de 400 soldados abandonaram o Exército, incluindo 15 oficiais de alta patente. O coronel afirma que o grupo não é ligado a nenhuma seita, religião ou partido político. A única meta dos desertores é derrubar Assad. "Somos o futuro Exército da nova Síria."

O grupo assumiu a responsabilidade pelos recentes ataques contra militares. O coronel Al-Asaad mantém sua base na Turquia e conta com a proteção de militares turcos - Ancara confirma apenas o apoio humanitário aos sírios que vivem em campos de refugiados em território turco. O líder do Exército Livre quer, agora, que o grupo seja reconhecido como o braço armado do Conselho Nacional Sírio, uma coalizão de grupos de oposição com base na Turquia que lidera as negociações pelo fim do regime do presidente Assad. A negociação para a ligação entre os grupos já foi iniciada informalmente.

Um dos apelos do coronel desertor é a criação de uma zona de exclusão aérea e marítima na Síria - como foi feito na Líbia. "Não temos como comprar armas e precisamos defender os civis", afirma o militar. A medida permitiria que o grupo avançasse no território sírio, se reorganizasse e recrutasse voluntários.

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