Desestabilização ameaça controle alauita do Exército

O Exército da Síria, pilar vital do poder do presidente Bashar Assad, mostra poucos sinais das sérias cisões e deserções que a oposição enxerga entre os soldados, apesar do desgaste provocado pela repressão militar aos levantes. Mas enquanto os tanques formam a ponta de lança da ofensiva contra a cidade de Hama, Assad deve se indagar se os soldados mais leais e bem armados estão em número suficiente para atuar em vários locais ao mesmo tempo caso surja a necessidade.

William Maclean/Reuters, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2011 | 00h00

"Estão ocorrendo algumas deserções, mas nada comparável à massa crítica que poderia indicar o início de um motim de grandes proporções entre os soldados sunitas", disse Andrew Terrill, professor e pesquisador de Assuntos de Segurança Nacional do War College, nos EUA. A seita alauita, da qual Assad faz parte, controla a cúpula das Forças Armadas. A massa dos soldados é composta por muçulmanos sunitas. A maioria dos manifestantes que foram alvo das manobras militares também é sunita.

Segundo Firas Abi Ali, analista da Exclusive Analysis, a coesão do Exército sírio é bastante sólida em termos da possibilidade de deserções, mas o problema são os números. "Se não houver unidades leais em número suficiente para tomar Hama, não haverá unidades leais em número suficiente para tomar cidades maiores como Homs, Alepo e Damasco", disse ele. "Não acho que o Exército conte com um número suficiente destas unidades a ponto de conseguir promover uma repressão de grandes proporções contra várias cidades ao mesmo tempo."

Outros exilados sírios e especialistas em segurança, no entanto, dizem que o número de deserções observado até o momento é pequeno demais para indicar divisões. "Não é fácil criar cisões dentro do Exército sírio", disse à Reuters o ex-oficial das forças sírias de segurança Samer Afndi. "A estrutura de comando é formada por camadas, como uma boneca russa. Em certas unidades, sunitas e alauitas são intercalados no alto escalão de comando para impedir todas as tentativas de subversão."

Ainda de acordo com os especialistas, está igualmente claro que as unidades mais leais do Exército - compostas principalmente por alauitas e comandadas pelo irmão de Assad, Maher - não podem se multiplicar. A distribuição do Exército em pontos diversos indica que os chefes militares são obrigados a usar unidades sunitas em certas áreas, nas quais soldados poderiam ser executados por desobediência. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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