Desigualdade e violência ainda são problemas

Apesar do grande avanço econômico, o Panamá ainda tem de superar vícios típicos da América Latina. Kevin Casas-Zamora, ex-vice-presidente da Costa Rica e analista do Brookings Institution, aponta a desigualdade, a criminalidade e a corrupção como três dos maiores problemas enfrentados pelo governo conservador do presidente Ricardo Martinelli.

, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2011 | 00h00

Segundo o Banco Mundial, o Panamá é um dos países mais desiguais da América Latina - no coeficiente de Gini, que mede a desigualdade, os panamenhos estão atrás da Venezuela chavista. A taxa de homicídios dobrou desde 2005, chegando a 22 assassinatos a cada 100 mil habitantes - índice um pouco menor do que o brasileiro, mas o dobro da vizinha Costa Rica.

De acordo com relatórios recentes da Transparência Internacional e do Fórum Econômico Mundial, a corrupção e a ineficiência das instituições são as piores mazelas do Panamá. Outro problema grave é a falta de mão de obra qualificada, que é o retrato de um país que não investiu o suficiente em educação.

Martinelli tentou responder com uma versão panamenha do PAC brasileiro: US$ 13,6 bilhões de investimentos, nos próximos cinco anos, em escolas, hospitais, saneamento básico, estradas e em um metrô para a capital. A desigualdade também deve diminuir em razão de dois programas assistencialistas: um que distribui US$ 100 para maiores de 70 anos e outro de subsídios para estudantes.

Mas Martinelli, que se gaba de ter tirado o país da rota do bolivarianismo, tem demonstrado inquietantes semelhanças com Hugo Chávez. Segundo telegramas diplomáticos americanos divulgados pelo site WikiLeaks, em 2009, o presidente pediu ajuda aos EUA para grampear opositores.

Na ocasião, a embaixada americana expressou preocupação com a possibilidade de Martinelli "ignorar a lei para perseguir objetivos pessoais". O presidente também é acusado de se intrometer em assuntos do Judiciário e de tentar mudar a Constituição para se reeleger.

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