Desigualdades sociais crescem na Argentina

Há quase três décadas que a Argentina não via desigualdades sociais tão grandes como agora. Segundo uma pesquisa do Instituto de Estatísticas e Censos (Indec) os 10% mais ricos da população argentina ganham 26,4 vezes mais do que os 10% mais pobres do país. No ano passado, a brecha entre ricos e pobres era de 24,8 vezes. Em 1974, quando a primeira medição do gênero foi feita, a Argentina orgulhava-se de ser um país de classe média, uma espécie de "Europa perdida na América do Sul", na qual a diferença entre ricos e pobres era de apenas 12 vezes. Atualmente, em países como a Espanha, França, Suíça e Inglaterra a diferença é de 10 vezes. A brecha entre ricos e pobres na Argentina começou a aumentar a partir do golpe militar de 1976, mas a disparada ocorreu durante o governo do ex-presidente Carlos Menem (1988-99), coincidindo com a abertura dos mercados, as privatizações e diversos ajustes fiscais. Os 10% mais ricos argentinos possuem receitas mensais que oscilam entre US$ 1.330 e US$ 16.000. Os 10% mais pobres possuem receitas entre US$ 5 e US$ 145 por mês. Segundo o Indec, os 10% mais ricos da população obtiveram 36,9% da receita total, enquanto que o 10% mais pobre receberam 1,4%. Desde maio do ano passado, a receita dos 10% mais pobres do país caiu 9%. No entanto, cálculos extra-oficiais sustentam que a diferença entre ricos e pobres seria maior ainda do que a anunciada pelo governo, e afirmam que já estaria em 40 vezes.

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