Desistência de Gore surpreende democratas

Al Gore abandonou o campo de potenciais candidatos presidenciais democratas, numa surpreendente decisão que aumenta as chances de meia dúzia de outros que consideram disputar a Casa Branca. O senador Joseph Lieberman, por exemplo, disse hoje que anunciará suas intenções no começo do mês que vem. Gore fez seu anúncio no domingo, no programa "60 minutes" da rede CBS, pegando de surpresa os Estados Unidos. Alguns aliados próximos esperavam que ele fosse dar início a telefonemas a assessores políticos e financeiros para testar o ambiente e, então, tomaria uma decisão nos feriados de fim de ano. Apesar de dizer que ainda tem energia e vontade para uma nova disputa, Gore, 54 anos, destacou que "existem muitas pessoas dentro do Partido Democrata que se sentem exaustos (com a campanha de 2000)... que dizem: ´Tudo bem, não quero passar por isso de novo´. E sou francamente sensível a esse sentimento". O porta-voz do presidente George W. Bush considerou os desdobramentos um assunto interno do Partido Democrata, mas não resistiu a dar uma estocada. "Alguém irá emergir do campo democrata que buscará aumentar impostos do povo americano...", disse o secretário de imprensa da Casa Branca, Ari Fleischer. Muitos democratas ficaram surpresos com o momento da decisão, anunciada depois que Gore passou vários dias em Nova York discutindo seus planos com familiares. Potenciais rivais rapidamente elogiaram Gore, que ainda tem um considerável cacife entre eleitores democratas. "Quero simplesmente agradecer Gore por sua liderança, por seu serviço e pela oportunidade que me deu de ser seu companheiro de chapa em 2000, que torna possível a decisão que vou tomar nas próximas semanas", disse Lieberman na manhã de hoje. "Eu dizia que provavelmente disputaria caso Al Gore não concorresse, e esse é o caso". Lieberman fará uma viagem esta semana ao Golfo Pérsico e Oriente Médio, e visitará tropas americanas na região. Gore venceu a eleição direta por meio milhão de votos em 2000, mas perdeu para o republicano George W. Bush no Colégio Eleitoral, depois de uma tumultuada recontagem de 36 dias na Flórida e uma decisão da Suprema Corte, por 5 a 4, contra ele. O líder democrata no Senado, Tom Daschle, o deputado Dick Gephardt, o senador John Kerry, o governador de Vermont, Howard Dean, e o senador John Edwards imediatamente saudaram Gore como uma importante força no partido, que certamente dará mais contribuições no futuro. Todos são potenciais candidatos democratas para a eleição presidencial de 2004. Depois de buscar a presidência ou o posto de vice em todas as eleições desde 1988, Gore considerou domingo que provavelmente não terá nova chance de disputar a Casa Branca. E avaliou que uma revanche com Bush "inevitavelmente se concentraria no passado, que de certa forma seria uma distração em relação ao futuro, que é no que todas as campanhas, a meu ver, devem se concentrar".

Agencia Estado,

16 Dezembro 2002 | 17h41

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