Desistência de Menem pode prejudicar Kirchner

Os analistas políticos consideram que se Carlos Menem (Frente para a Lealdade-Partido Justicialista) desistir de sua candidatura, a esta altura do campeonato, será um problema para Néstor Kirchner (Frente para a Vitória-Partido Justicialista), mas um desastre para ele. Para Kirchner, o problema seria de legitimidade e governabilidade, mas isto seria algo reversível de acordo com a sua capacidade de administração nos três primeiros meses de governo, nos quais terá que gerarconfiança e consensos dentro e fora do peronismo.Para os menemistas que acreditam numa desistência de Menem com o fim de desestabilizar o futuro governo Kirchner e ainda brigar pelo poder dentro do peronismo contra o presidente Eduardo Duhalde, os analistas só têm um conceito: insanidade mental. É unânime a opinião de que Menem estaria suicidando-se politicamente ao recuar, muito pior do que "perder feio" paraKirchner.Para a analista Analía del Franco, da consultoria AnalogiasResearch International, "Se Menem desiste, obviamente vai criarum problema de legitimidade inicial, mas esta legitimidade vaiestar sendo testada de qualquer forma, com ou sem o segundoturno, porque ela vai estar no exercício do poder, ou seja, nocaminho que Kirchner tomará para recomponê-la.Ele estará sendo testado de qualquer forma e terá que fazer alianças e escolher como o fará. Para Menem, sou categórica aoafirmar que se termi na sua carreira porque demonstra que apolítica para ele é somente um jogo".Manuel Mora y Araujo, da consultoria Ipsos-Araujo y Mora,afirma que se Kirchner "não vai poder dizer que tem 70% , sóterá 22% que obteve no primeiro turno e isso pesa, mas nã omuito. Vai depender da forma que vai governar. Fernando De laRúa teve 50% e acabou da pior forma", compara o consultor.Ele acredita que o mais importante é que se "Menem se retira,evita uma derrota aos menemistas que continuarão na política,como o s governadores, prefeitos e até vereadores queenfrentarão eleições até o fim do ano".Mora y Araujo afirma, por outro lado, que se "Menem desisteda disputa, permitirá aos menemistas evitar uma derrota e lheabre as portas para que fechem acordos com o utros setores do PJ sem ter o estigma de uma derrota esmagadora".Para o analista do Ibope, Enrique Zuleta Puceiro, afirma que oprimeiro efeito de uma renúncia de Menem será a "abertura de um ciclo deliberativo em que Kirchner tratará de suprir a falta do segundo turno com uma roda de negociações e o resulta do será seguramente negativo porque todos os demais tratarão dedelimitar o poder de Kirchner".Puceiro avalia que haverá um "compasso de espera e todos vãose submeter ao que vai opinando a população", e é onde entraráa atuação de Kirchner nos primeiros meses. Ele acredita que"não há argumento que justifique a deserção" de Menem econsidera "impressionante que desista quem ganhou no primeiroturno", critica.

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