AFP PHOTO / SAIDU BAH
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Deslizamento de terra e inundações em Serra Leoa deixa mais de 300 mortos

De acordo com o último balanço divulgado pela Cruz Vermelha, ao menos 312 pessoas morreram e outras 600 ficaram feridas no país; autoridades esperam que número de vítimas aumente com avanço do serviços de resgate

O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2017 | 11h18
Atualizado 14 Agosto 2017 | 16h13

FREETOWN - Pelo menos 312 pessoas morreram e outras 600 ficaram feridas em deslizamentos de terra e alagamentos causados pelas fortes chuvas nesta segunda-feira, 14, em diferentes pontos de Serra Leoa, segundo o último balanço divulgado pela Cruz Vermelha desse país.

Entre as vítimas estão mais de 30 crianças, indicou uma fonte da organização, que também reconheceu que a situação é "muito preocupante", por isso espera que o número de mortos e afetados aumente nas próximas horas.

Mais cedo, um funcionário do Hospital Connaught, de Freetown, havia relatado a chegada de "pelo menos" 180 corpos ao necrotério do estabelecimento. Segundo ele, não há lugar para acomodar todos os cadáveres e, por isso, muitos foram trasladados para necrotérios particulares.

Por sua vez, a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICR), com sede em Genebra (Suíça), cifrou o número de afetados em mais de mil e assegurou que está recebendo "relatórios terríveis" de seus parceiros locais, afirmou sua porta-voz, Lea Salwan.

A FICR reiterou que estas cifras são provisórias devidos aos problemas que estão tendo para entrar em contato com seu representante em Serra Leoa.

Em Regent, ao sul da capital Freetown, morreram mais cem vítimas de um deslizamento de terras de uma montanha próxima. A área afetada pelas inundações é uma zona da capital onde ficavam localizadas numerosas moradias ilegais.

Fatmata Sesay, que vive na colina de Juba, contou que seus três filhos e seu marido acordaram com o barulho da chuva sobre o telhado de sua casa de barro já debaixo d'água. Eles conseguiram escapar, subindo no telhado. "Perdemos tudo e não temos onde dormir", lamentou.

Debaixo de chuva, pessoas choravam observando uma encosta coberta de lama, onde antes havia dezenas de casas. Adama Kamara chorou quando descreveu uma tentativa fracassada de resgatar seu bebê de 7 semanas.

"Nós estávamos dentro de casa quando ouvimos o deslizamento de lama se aproximando. Tentei pegar meu bebê, mas a lama foi muito rápida", disse Adama, que escapou com algumas lesões. Ela afirmou que não tinha certeza sobre o que aconteceu com seu marido.

Perigo

As inundações são um perigo recorrente em Serra Leoa, onde as chuvas torrenciais costumam destruir as residências mais precárias. Em Freetown, uma cidade superpopulosa, com cerca de 1,2 milhão de habitantes, chove ao menos seis meses por ano.

Em setembro de 2015, inundações deixaram dez mortos na capital, onde cerca de 9.000 pessoas perderam sua casa.

Na época, o ministro da Saúde alertou para os riscos sanitários relacionados com as inundações, como a possibilidade de surto de cólera.

Junto com Guiné e Libéria, Serra Leoa faz parte dos países da África Ocidental mais afetados pela epidemia de ebola que matou mais de 11.300 pessoas entre 2013 e 2016. / AFP e EFE

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