Desmond Tutu pede que África use a força para tirar Mugabe

Nobel da Paz afirma que presidente do Zimbábue deve ser julgado pelo Tribunal Penal da ONU em Haia

Efe,

05 de dezembro de 2008 | 09h48

O arcebispo sul-africano e Nobel da Paz, Desmond Tutu, pediu que os países africanos usem a força militar para tirar do poder o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, se este se negar a renunciar. Em entrevista à televisão pública holandesa transmitida na noite de quinta-feira, 4, o dirigente religioso disse que, se Mugabe se negar a renunciar, "tem que haver uso da força militar".   Veja também: Rice diz que já passou da hora de Mugabe sair do poder   Tutu, que recebeu o Nobel da Paz em 1984, também defendeu que Mugabe seja acusado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) da ONU, que tem sede em Haia. "Acho que o mundo deve dizer (a Mugabe): o senhor foi responsável por sérios crimes e vai enfrentar uma acusação em Haia se não renunciar", segundo o religioso sul-africano.   Perguntado se era necessário usar a força para destituir Mugabe, Tutu respondeu que, "se ele se negar, deve-se usar a força militar", que deveria ser mobilizada pela União Africana ou pela Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC, em inglês).   A economia do Zimbábue está em um absoluto caos, sem abastecimento de alimentos e outras mercadorias essenciais, mais de 80% de desemprego e uma inflação astronômica, que oficialmente chega a 231.000.000%, por isso a moeda local perdeu totalmente o valor e a população, seu poder aquisitivo.   As Nações Unidas consideram que mais de 5 milhões de pessoas, quase a metade da população, precisarão de ajuda alimentícia para sobreviver a partir de janeiro, enquanto o atual governo do presidente Mugabe coloca impedimentos para a atuação das agências e organizações internacionais neste campo. Além disso, uma epidemia de cólera que já matou mais de 200 pessoas afeta o país, onde os serviços de saúde não funcionam, por isso teme-se que a doença se estenda ainda mais.   Eleição em dois anos   O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, admitiu a possibilidade de novas eleições gerais "nos próximos dois anos" se o governo de coalizão firmado oficialmente em 15 de setembro não avançar, informou a edição desta sexta-feira, 5, jornal oficial The Herald.   Mugabe aceitou há mais de dois meses compartilhar os ministérios do governo com o líder do opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai, e com o representante da facção minoritária deste partido, Arthur Muthambara, mas as partes ainda não chegaram a um consenso. As disputas sobre a divisão das pastas dificultam a implementação do acordo, intermediado pelo ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki, já que tanto Mugabe como Tsvangirai querem o Ministério do Interior, que controla a polícia. Além disso, o MDC acusa o Mugabe de querer ficar com o controle de todos os Ministérios-chave, relegando a oposição "a um segundo plano na divisão do governo".   "Se o que acordamos não funcionar no próximo ano e meio ou em dois anos, então optaríamos por realizar novas eleições", declarou Mugabe ontem diante de numerosos seguidores de seu partido, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF). Segundo o The Herald, Mugabe conclamou os simpatizantes da Zanu-PF a se prepararem para a realização de eleições, já que "poderiam acontecer em qualquer momento".   Mugabe respondeu na quinta às exigências da oposição em declarações em frente às sedes sociais da Zanu-PF, em Harare, e disse que "o MDC deveria dizer que 'não' se não quer fazer parte deste Governo de unidade". A vitória do MDC nas eleições parlamentares de 29 de março e a pequena margem entre ela a governamental Zanu-PF no pleito presidencial, trouxe consigo uma onda de violência e repressão contra os integrantes do MDC, dos quais mais de 50 foram assassinados.   Conseqüentemente, a oposição decidiu não se candidatar ao segundo turno, pelo que a comunidade internacional pediu diversas vezes novas eleições presidenciais em junho, mas os analistas afirmam que elas só deveriam ocorrer sob a supervisão de observadores internacionais. Robert Mugabe é, até hoje, o único presidente da história do Zimbábue, que governa desde sua independência, em 1980.   Matéria atualizada às 12h20.

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