Desprendimento da cauda do Airbus intriga investigadores

Com as evidências preliminares reduzindo as suspeitas de que uma falha na turbina poderia ter causado a queda do Airbus A300 da American Airlines na segunda-feira em Nova York, os investigadores analisavam hoje profundamente peças importantes do avião, em especial a cauda e o estabilizador vertical, que se desprenderam antes da queda.A Agência de Segurança em Transportes dos Estados Unidos (NTSB em inglês) ainda tinha a esperança de encontrar na segunda caixa-preta informações que levassem a uma resposta conclusiva sobre o que causou a queda do avião da American Airlines. No entanto, o gravador que registra os dados sobre o desempenho dos sistemas mecânico e de vôo foi seriamente danificado na queda. A caixa-preta foi enviada hoje para a companhia que a fabricou, na Flórida, para análise.Os investigadores consideram um fato sem precedentes o desprendimento da cauda de 7,5 metros. A perda repentina da seção da cauda tornaria impossível para os pilotos controlarem o avião. Segundo especialistas, o acidente pode ter sido causado por uma seqüência de falhas sem precedentes na história da aviação comercial.Na gravação das conversações de bordo da primeira caixa-preta examinada, pôde ser ouvido, por duas vezes, um forte ruído e o diálogo entre os pilotos indicando que eles haviam perdido o controle do avião.A cauda e o estabilizador vertical - a parte do avião que mantém a rota - foram recuperados das águas de Jamaica Bay, a cerca de 700 metros do ponto de impacto do avião na área de Rockaway, distrito do Queens. Pelo menos 265 pessoas morreram - 260 pessoas a bordo e cinco em terra.A teoria de uma falha nos motores perdeu força, pois exames preliminares das turbinas indicaram que elas não sofreram avaria interna, não apresentavam sinais de terem sido atingidas por pássaros, e os ruídos na gravação da cabine mostraram-se distintos do som de uma explosão, que provavelmente seria ouvida caso uma das duas turbinas do Airbus quebrasse. Os ruídos registrados eram de vibrações do avião.O funcionário da NTSB George Black, que coordena as investigações, disse que outra questão que está sendo profundamente analisada é o fato de um dos pilotos ter destacado - na gravação das conversações de bordo feita por uma das caixas-pretas - a presença de turbulências "no rumo" de outro avião.O outro avião provavelmente foi um Boeing 747 da Japan Airlines que decolou dois minutos e meio antes do vôo 587, disse Black. Todos os aviões produzem turbulências durante o vôo e as espirais de ar que saem das asas podem ser perigosas quando uma nave pequena segue um avião de grandes porte.Os investigadores estão tentando determinar se turbulências desse tipo podem provocar inconvenientes quando os aviões têm dimensões similares, como no caso do Jumbo e do Airbus A300.

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