Despreparo agravou acidente nuclear no Japão, diz comissão

A falta de preparo e comunicação nos altos escalões agravaram as consequências do acidente de março na usina nuclear japonesa de Fukushima, disse nesta segunda-feira uma comissão que investiga o caso.

SHINICHI SAOSHIRO, REUTERS

26 de dezembro de 2011 | 10h25

Os especialistas disseram que a empresa Tepco, que operava a usina destruída por um tsunami no norte do Japão, e as autoridades reguladoras não foram capazes de prever adequadamente os resultados de uma tragédia desse tipo.

A onda provocada pelo terremoto de 11 de março chegou a mais de 15 metros em algumas áreas, e destruiu os sistemas de refrigeração da usina, resultando no derretimento do combustível nuclear.

"O órgão regulador nuclear do governo não solicitou à Tepco que tomasse medidas específicas, como uma construção adicional, depois de ter recebido os resultados de uma simulação da Tepco em 2008 e no começo de 2011 a respeito do impacto dos tsunamis sobre suas instalações", disse a comissão em um relatório preliminar.

Em 2008, a Tepco simulou um tsunami com mais de 15 metros na usina, mas não tomou providências, por considerar que uma onda desse tamanho seria muito improvável, segundo a comissão.

O relatório também diz que a Tepco não tinha técnicos suficientemente gabaritados no local após o acidente, e que por isso a empresa cometeu erros na avaliação e operação dos reatores danificados.

Além disso, o centro de gerenciamento de crises do governo não manteve contatos adequados com escalões superiores que trabalham no mesmo prédio, e isso retardou o uso de um sistema que prevê a difusão da radioatividade.

A comissão com 12 integrantes, chefiada por Yotaro Hatamura, professor de engenharia especializado na análise de falhas operacionais, deve divulgar seu relatório definitivo em meados de 2012. O grupo inclui sismologistas, ex-diplomatas e juízes.

Em 16 de dezembro, o governo anunciou que os reatores de Fukushima atingiram o estado de desligamento a frio, o que representa um marco no trabalho de descontaminação da região, e era uma pré-condição para que cerca de 80 mil moradores voltem a suas casas num raio de 20 quilômetros em torno da empresa.

Críticos dizem, no entanto, que o governo se precipitou em declarar o "desligamento frio" e uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo jornal Nikkei mostrou que 78 por cento dos entrevistados discordam da decisão do governo.

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