Despreparo para desafios do século 21 marca campanha

Análise: Thomas L. Friedman / NYT

O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2012 | 03h07

Duas coisas me marcaram nos debates dos candidatos presidenciais republicanos que antecederam o caucus de Iowa. Uma é o quanto eles foram divertidos. Outra é o quanto estavam desligados das grandes tendências que estão moldando o mercado de emprego do século 21. Que tal se a campanha de 2012 versasse realmente sobre o mundo em que vivemos e em como nos adaptarmos a ele? Do que os candidatos estariam falando?

No topo, ou perto, dessa lista estaria a fusão crescente entre globalização e a mais recente revolução da tecnologia da informação (TI). A revolução da TI está proporcionando aos indivíduos cada vez mais ferramentas baratas de inovação, colaboração e criatividade - graças a computadores portáteis, redes sociais e "a nuvem", que armazena aplicativos potentes que qualquer pessoa pode baixar.

O melhor dessa fusão serão as cidades grandes e pequenas que combinam uma universidade, uma população educada, uma comunidade de negócios dinâmica e conexões de banda larga mais rápidas da terra.

Essas serão as fábricas de emprego do futuro. Os países que vão prosperar serão aqueles que construírem mais dessas cidades que tornam possível "o intercâmbio e a geração de conhecimento de alto desempenho", explica Blair Levin, que dirige o Projeto Gig U do Aspen Institute, um consórcio de 37 comunidades universitárias trabalhando para promover o investimento privado em ecossistemas da próxima geração.

Alguns historiadores notaram que agrupamentos econômicos sempre requereram acesso a recursos estratégicos abundantes para o sucesso. Nos anos 1800, foi o acesso a água e matérias-primas. Nos 1900, a disponibilidade de energia elétrica e sistemas de transporte.

Nos 2000, acrescenta Levin, "será o acesso a banda larga abundante e capital intelectual humano" - lugares como o Vale do Silício, Austin, Boulder, Cambridge e Ann Arbor. Neste momento, porém, observa o analista, os EUA estão focados demais em levar banda larga "média" aos últimos 5% do país em áreas rurais, em vez de levar banda larga com "velocidade ultrarrápida" aos 5% do topo, em cidades universitárias.

A questão crítica para os EUA hoje deve ser a maneira como mobilizaremos mais redes e aplicativos de velocidade ultrarrápida em cidades universitárias para inventar mais bens manufaturados e serviços com alto valor agregado e como formar mais trabalhadores para esses empregos - a única maneira de podermos manter uma classe média.

Eu simplesmente não me lembro de algum candidato ser indagado nesses debates do Partido Republicano: "Como acha que cidades inteligentes podem se tornar os motores de emprego do futuro, e qual é o seu plano para assegurar que os EUA tenham uma vantagem estratégica em banda larga?" / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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