REUTERS/Bernadett Szabo
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Destituição de jornalista na Hungria alimenta temores por liberdade de imprensa

Editor do principal site de notícias húngaro foi demitido após dizer que independência estava em risco; grupo foi comprado por aliado do governo do autocrata Viktor Orbán

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2020 | 10h06

BUDAPESTE - O temor pela liberdade de imprensa na Hungria aumentou após a demissão, nesta semana, do editor-chefe do principal site de notícias independente do país. Szabolcs Dull, que liderava o Index.hu, o portal de notícias mais lido na Hungria, foi demitido por divulgar documentos internos, de acordo com uma carta enviada pela gerência à equipe.

No mês passado, ele protestou contra uma proposta de remodelação do site por seus proprietários dizendo que a independência estava ameaçada devido à "pressão externa", em referência ao governo do primeiro-ministro Viktor Orbán. Dull disse que a liberdade do site de publicar artigos críticos ao governo estava "em grave perigo".

"A independência política do Index não está ameaçada", respondeu Laszlo Bodolai, que dirige a fundação proprietária da editora do Index em uma carta aos funcionários. A maioria dos aproximadamente 100 jornalistas do Index assinou uma carta aberta na qual considerou a demissão "inaceitável". Em março, um poderoso empresário pró-Orban, Miklos Vaszily, comprou uma participação de 50% na agência de publicidade do Index.

Desde que chegou ao poder em 2010, o autocrata Viktor Orbán transformou a mídia pública em órgãos de propaganda e alguns de seus aliados adquiriram participações no setor privado da imprensa do país de 10 milhões de habitantes. Nos últimos anos, a maioria dos meios de comunicação independentes como o Index fecharam ou foram comprados por aliados do governo. 

Orbán também já interferiu no Judiciário, reduziu os direitos civis e dificultou a atuação de ONGs. Orbán é legitimado internamente por uma economia que cresceu acima da média europeia nos últimos anos.  / AFP

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