Thom Baur/Reuters
Thom Baur/Reuters

Destroços de foguete chinês caem no Oceano Índico

O Global Times, um tabloide chinês publicado pelo jornal oficial People's Daily, considerou "exagero ocidental" as preocupações de que o foguete estaria "fora de controle" e poderia causar danos

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2021 | 01h58

Destroços de um foguete da China caíram no Oceano Índico neste domingo, 9, após ter a maior parte de seus componentes destruídos na reentrada na atmosfera da Terra. As coordenadas fornecidas pela mídia estatal chinesa, que citam o China Manned Space Engineering Office, colocam o ponto de impacto no oceano, a oeste do arquipélago das Maldivas.

A mídia estatal informou que partes do foguete reentraram na atmosfera às 10:24 da manhã, horário de Pequim (0224 GMT), e pousou em um local com coordenadas de longitude 72,47 graus leste e latitude 2,65 graus norte.

O Long March lançado na semana passada foi a segunda implantação da variante 5B desde seu voo inaugural em maio de 2020. No ano passado, peças do primeiro Long March 5B caíram na Costa do Marfim, danificando vários edifícios. 

Com a maior parte da superfície da Terra coberta por água, as chances de uma área povoada em terra ser atingida eram baixas, e a probabilidade de feridos ainda menor, de acordo com especialistas. Mas a incerteza sobre a decadência orbital do foguete e o fracasso da China em emitir garantias mais fortes na corrida para a reentrada alimentaram a ansiedade.

Durante o voo do foguete, o astrofísico de Harvard Jonathan McDowell disse à Reuters que a zona de destroços em potencial poderia estar tão ao norte quanto Nova York, Madrid ou Pequim, e tão ao sul quanto o sul do Chile e Wellington, na Nova Zelândia.

Desde que grandes pedaços da estação espacial da NASA Skylab caíram de órbita em julho de 1979 e pousaram na Austrália, a maioria dos países tem procurado evitar essas reentradas descontroladas por meio de seus projetos de espaçonaves, disse McDowell.

O Global Times, um tabloide chinês publicado pelo jornal oficial People's Daily, considerou "exagero ocidental" as preocupações de que o foguete estaria "fora de controle" e poderia causar danos.

"É uma prática comum em todo o mundo que os estágios superiores dos foguetes queimem enquanto voltam à atmosfera", disse Wang Wenbin, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, em uma entrevista coletiva em 7 de maio.

"Que eu saiba, o estágio superior deste foguete foi desativado, o que significa que a maioria de suas partes queimará na reentrada, tornando a probabilidade de danos às instalações e atividades terrestres ou de aviação extremamente baixa", disse Wang.

O foguete, que colocou em órbita um módulo Tianhe não tripulado contendo o que se tornará o alojamento de três tripulantes em uma estação espacial chinesa permanente, será seguido por mais 10 missões para completar a estação até 2022.

Os foguetes de carga pesada, como o Long March 5B, têm sido a chave para as ambições espaciais de curto prazo da China - desde a entrega de módulos e tripulação da estação espacial planejada até o lançamento de sondas exploratórias para a Lua e até Marte. / Com informações da Reuters.

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