Instituto Norueguês de Pesquisa Marinha/via EFE
Instituto Norueguês de Pesquisa Marinha/via EFE

Destroços de submarino soviético emitem radiação 800 mil vezes maior do que o normal

O Komsomolets naufragou em 1989 no Mar Norueguês, matando 42 pessoas; apesar da radiação elevada, pesquisadores noruegueses afirmam que os impactos são mínimos e não devem ser motivo de preocupação

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2019 | 16h52

OSLO - Um submarino nuclear soviético que afundou na Noruega em 1989 ainda está emitindo radiação, em um nível 800 mil vezes maior do que o normal, afirmaram pesquisadores noruegueses na quarta-feira, 10.

De acordo com a Agência Norueguesa de Radiação e Segurança Nuclear, pesquisadores encontraram danificações extensas no submarino Komsomolets, que se encontra a uma profundidade de 1,7 km no Mar Norueguês.

Enquanto o nível normal de radiação a essa profundidade na água salgada permanece em torno de 0,001 becquerel por litro, os pesquisadores identificaram o nível de 800 becquerels por litro. Esse nível foi o mais elevado encontrado nos destroços, na região de um duto de ventilação.

“É claro que esse é um nível maior do que nós normalmente encontramos no mar, mas os níveis que encontramos agora não são alarmantes”, afirmou a líder da expedição, Hilde Elise Heldal, do Instituto Norueguês de Pesquisa Marinha.

Segundo Heldal, mesmo elevados, os níveis de radiação encontrados não causam grandes alterações na água e não devem ser um motivo de preocupação, já que poucos peixes se encontram próximos ao submarino. “O que achamos tem pouco impacto nos peixes e frutos do mar noruegueses. Em geral, os níveis de césio no Mar Norueguês são muito baixos, e como a carcaça está localizada muito fundo, a poluição do Komsomolets é rapidamente diluída”.

Duas ogivas nucleares, além de um reator nuclear, permanecem a bordo do submarino de 122 metros de comprimento. Autoridades russas e norueguesas examinam anualmente os destroços desde a década de 1990, a fim de monitorar os níveis de radiação e os riscos de poluição. Investigadores russos encontraram pequenos vazamentos radioativos na década de 1990 e em 2007, segundo a Agência.

Entretanto, a expedição deste ano foi a primeira a usar um veículo movido a controle remoto. O Aegir 6000, além de filmar os destroços, retirou amostras que serão analisadas posteriormente. O primeiro vídeo divulgado pelos pesquisadores mostra torpedos intactos.

A expedição ao Komsomolets ocorre uma semana depois de um incêndio em outro submarino russo, o Losharik, matar 14 marinheiros no Mar de Barents. Apesar do estrago, o submarino conseguiu retornar intacto à superfície. O Losharik, além de mapear o oceano, presta serviço à agência de defesa russa, o que tem gerado preocupação entre os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), como os EUA e a União Europeia. A tensão entre EUA e Rússia se agravou nesta sexta-feira, com a compra de mísseis russos pela Turquia, que é um país membro da OTAN.

O destino do Komsomolets foi diferente. Inaugurado em 1983, era o submarino com maior alcance de profundidade na época, de acordo com publicação da CIA. Tinha a capacidade de lançar tanto armas nucleares quanto comuns.

Um incêndio rapidamente se espalhou no submarino, durante uma viagem que já durava 39 dias e continha 69 marinheiros a bordo, em 7 de abril de 1989. No acidente, 42 pessoas morreram, antes do Komsomolets afundar. / W. POST e REUTERS

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