REUTERS/Toru Hanai
REUTERS/Toru Hanai

Destróier americano manteve rota de colisão mesmo após receber alerta, segundo comandante

Equipes dos EUA e Japão investigam incidente para determinar como o navio de guerra e o cargueiro se chocaram; episódio deixou sete marinheiros americanos mortos

O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2017 | 15h31

TÓQUIO - Um navio de guerra dos EUA que bateu em um navio cargueiro em águas japonesas não respondeu a sinais de alerta e não adotou ações evasivas antes de uma colisão que matou sete marinheiros americanos, de acordo com um relato do incidente feito pelo comandante do cargueiro filipino.

Várias investigações dos EUA e do Japão estão em andamento para determinar como o destróier de mísseis teleguiados USS Fitzgerald e o cargueiro ACX Crystal, muito maior, se chocaram ao sul da Baía de Tóquio nas primeiras horas do dia 17 de junho.

No primeiro relato detalhado de um dos envolvidos no incidente, o capitão do cargueiro disse que o ACX Crystal sinalizou piscando as luzes depois que o Fitzgerald adotou "subitamente" uma rota que cruzaria seu caminho.

O cargueiro virou com força para a direita para evitar o navio de guerra, mas atingiu o Fitzgerald às 1h40 (locais), de acordo com uma cópia do relato do capitão Ronald Advincula à proprietária japonesa da embarcação, Dainichi Investment Corporation. A Marinha dos EUA não quis comentar o assunto.       

A colisão abriu uma fenda abaixo da linha de flutuação do Fitzgerald e matou sete marinheiros, a maior perda de vidas em uma embarcação da Marinha americana desde que o USS Cole foi bombardeado no porto de Áden, no Iêmen, em 2000.

Os mortos estavam em seus beliches, e o comandante do Fitzgerald foi ferido em sua cabine, o que leva a crer que nenhum alerta de colisão iminente foi emitido. Um porta-voz da Sétima Frota da Marinha dos EUA em Yokosuka, o porto de origem do Fitzgerald, disse não poder comentar uma investigação em curso.

O incidente deu origem a seis inquéritos, incluindo duas audiências internas da Marinha dos EUA e uma investigação da Guarda Costeira dos EUA (USCG, na sigla em inglês). A Comissão de Segurança dos Transportes, a Guarda Costeira do Japão (JCG) e o governo das Filipinas estão realizando investigações separadas. Os porta-vozes da JCG, da USCG e da Dainichi Investment também não quiseram comentar.

Os inquéritos irão examinar depoimentos de testemunhas e dados eletrônicos para determinar como um destróier naval equipado com um radar sofisticado pôde ser atingido por uma embarcação três vezes maior. / REUTERS

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