FP PHOTO / Ahmad al-Rubaye
FP PHOTO / Ahmad al-Rubaye

Destruição de mesquita causa revolta em Mossul; vídeo captura explosão 

Governo iraquiano acusa Estado Islâmico de explodir mesquita de mais de 800 anos antes de ser tomada pelas forças de segurança

O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2017 | 15h05

MOSSUL - "Quando olhei pela janela e vi que o minarete não estava mais lá, senti que parte de mim morreu".

Para Ahmed Saied, professor escolar iraquiano de 54 anos, e muitos outros, Mossul nunca mais será a mesma depois que militantes do Estado Islâmico explodiram o minarete inclinado que decorou sua cidade durante quase 850 anos.

Os militantes destruíram a Grande Mesquita de Al-Nuri na noite de quarta-feira, assim como seu famoso minarete, afetuosamente apelidado pelos iraquianos de Al-Hadba, ou "o corcunda". Ao amanhecer, tudo que restava era a base que se projetava da alvenaria destroçada.

A destruição aconteceu enquanto forças do Iraque se aproximavam da mesquita, que também tinha uma importância simbólica enorme para o Estado Islâmico - seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi, a usou em 2014 para declarar um "califado" sobre partes do Iraque e da Síria.

Sua bandeira negra estava hasteada no minarete de 45 metros de altura desde junho de 2014, quando combatentes do grupo irromperam por todo o país e ocuparam vastas porções de seu território.

Os insurgentes preferiram explodir a mesquita a ver sua bandeira retirada pelas forças apoiadas pelos Estados Unidos que lutam no labirinto de vielas e ruas estreitas da Cidade Velha, o último bairro de Mossul ainda controlado pelo Estado Islâmico.

"De manhã cedo, subi no telhado de minha casa e fiquei chocado de ver que o minarete Hadba havia desaparecido", contou Nashwan, trabalhador diarista que mora no bairro de Khazraj, próximo da mesquita, por telefone. "Rompi em lágrimas. Senti que tinha perdido um filho."

O departamento de mídia dos militares iraquianos distribuiu uma foto tirada do ar que mostra a mesquita e o minarete praticamente reduzidos a escombros entre as pequenas casas e vielas estreitas da Cidade Velha. Um vídeo publicado no Twitter mostra o que seria o momento da explosão, com o minarete tombando verticalmente e levantando uma nuvem de areia e poeira.

 

"As forças de segurança do Iraque continuam a avançar sobre o território ainda em mãos do Estado Islâmico", disse o coronel do Exército americano Ryan Dillon, porta-voz da coalizão internacional liderada pelos EUA que auxilia o esforço iraquiano para derrotar a facção.

"Ainda há dois quilômetros quadrados no oeste de Mossul antes de a cidade inteira ser liberada", disse ele por telefone.

Para muitos, a destruição do minarete marcou o colapso definitivo do domínio do Estado Islâmico em Mossul e um presságio de sua derrota em todo o Iraque.

"Explodir o minarete Al-Hadba e a mesquita de Al-Nuri equivale a um reconhecimento oficial da derrota", disse o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, nesta quinta-feira em seu site. / REUTERS 

Tudo o que sabemos sobre:
Iraque

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.