Sergey Ponomarev/The New York Times
Sergey Ponomarev/The New York Times

Destruição de Palmyra seria crime de guerra, dizem ONU e UE

Diretora-geral da Unesco diz que ataques contra estruturas históricas representariam perda enorme para a humanidade

O Estado de S. Paulo

21 de maio de 2015 | 12h22

PARIS - A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, afirmou nesta quinta-feira, 21, que a destruição deliberada da cidade histórica síria de Palmyra por parte do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) seria um "crime de guerra" e uma perda "enorme" para a humanidade. Os jihadistas assumiram controle total da cidade na quarta-feira.

"Pertence a todo o mundo e acho que todos deveriam estar preocupados pelo que acontece. Sua destruição seria não só um crime de guerra, mas uma perda enorme para a humanidade", disse a representante da Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em um vídeo divulgado pelo organismo.


Situada em um oásis, Palmyra foi nos séculos I e II d.C. um dos centros culturais mais importantes do mundo antigo e ponto de encontro das caravanas na Rota da Seda, que atravessavam o árido deserto do centro da Síria. Como consequência dessa troca, segundo Bokova, em Palmyra se vê "uma extraordinária mistura de cultura e arte", e esse enclave, cujas ruínas estão incluídas na lista do Patrimônio da Humanidade da Unesco, reflete "que todas as culturas enriquecem umas a outras".

Um dia após haver solicitado um cessar-fogo imediato nessa cidade síria, Bokova renovou essa chamada e pediu uma "mobilização total" da comunidade internacional, com o objetivo de evitar a destruição de Palmyra.

Também nesta quinta-feira, A União Europeia (UE) declarou que assassinatos em massa e a destruição deliberada de Palmyra seriam considerados crimes de guerra segundo o Estatuto de Roma.

A alta representante da UE para Política Externa, Federica Mogherini, afirmou que essas ações do EI contra o patrimônio cultural e arqueológico na Síria e Iraque "equivaleriam a crimes de guerra segundo o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (TPI)".

Federica, que também é vice-presidente da Comissão Europeia (CE), lembrou que com a ocupação de Palmyra, "de novo centenas de pessoas morreram e há milhares expostas à violência arbitrária e aos que perpetram mais destruições de lugares culturais".

A diplomata ressaltou que perante essa situação "a UE tomou todas as medidas apropriadas" de acordo com a resolução 2199 do Conselho de Segurança das Nações Unidas para prevenir o comércio ilegal de propriedades culturais, como seu tráfico ilícito, "uma atividade que diretamente contribui para financiar o EI e outras organizações terroristas".

A chefe da diplomacia europeia ressaltou que a União Europeia apoia os esforços da ONU para acabar com o conflito na Síria que já dura quatro anos, assim como os da coalizão anti-EI que quer acabar com a expansão da organização terrorista. / EFE e REUTERS

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