Destruição em Gaza é 'chocante', diz funcionário da ONU

Subsecretário reitera pedido de abertura das fronteiras; palestinos reparam túneis para contrabandear comida

Agências internacionais,

22 de janeiro de 2009 | 08h57

O subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, John Holmes, iniciou uma viagem pela Faixa de Gaza para examinar a extensão do estrago causado pela ofensiva israelense de 22 dias. Holmes disse nesta quinta-feira, 22, que o número de mortos era algo "extremamente chocante". Para o subsecretário, as fronteiras de Gaza devem ser abertas para facilitar o envio de matérias de reconstrução. Veja também: Hamas passa a falar em negociação Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques    Holmes disse que está pensando nas necessidades humanitárias mais urgentes e na reconstrução de longo prazo. Segundo ele, as principais necessidades são água potável, sistema de esgoto, eletricidade e abrigos. O funcionário também pediu que Israel conduza uma investigação completa sobre bombardeios que danificaram edifícios da ONU em Gaza. A ofensiva, iniciada em 27 de dezembro e encerrada no domingo, deixou mais de 1.300 palestinos mortos. No mesmo período morreram 13 israelenses por causa da violência. Israel e o Egito mantêm as passagens em grande parte do tempo fechadas, desde o Hamas tomar o controle de Gaza, em junho de 2007. O grupo militante islâmico quer a abertura das fronteiras como parte de qualquer cessar-fogo de longa duração.   Milhares de palestinos seguiram para a fronteira da Faixa de Gaza com o Egito para fazer reparos nos túneis bombardeados por Israel e restaurar uma via comercial considerada crucial para o território palestino. As passagens secretas são usadas para contrabandear suprimentos e também armas na zona costeira. Nos dias seguintes à trégua, centenas de palestinos já reparavam os túneis danificados pelos ataques israelenses.   A ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, advertiu que o país se reserva o direito de atacar os túneis usados para contrabando na fronteira entre Gaza e o Egito. "Para os túneis, nada será como era antes", disse Livni à rádio pública. "As coisas devem ficar claras: Israel se reserva o direito de reagir militarmente contra os túneis agora e sempre." A ministra frisou que esse era o direito de legítima defesa de Israel, que não será deixado nas mãos de "egípcios, nem de europeus nem de norte-americanos".   Moradores da região da fronteira, onde alguns palestinos usam os túneis como negócio, afirmam que o envio de combustíveis e querosene para cozinhar estão sendo transportados por dezenas de túneis, entre as centenas existentes. Mohammed, proprietário de um túnel, afirmou que ele e três sócios pagaram US$ 40 mil para construir sua linha de abastecimento. "Assim que estiver operando, não entrarão drogas ou armas, planejo usá-lo para trazer o que a gente mais necessita, alimentos e combustível, e isso é muito rentável".

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