Destruição militar da Líbia será 'em dias ou semanas', diz chanceler francês

Para Juppé, forças de Khadafi devem ser neutralizadas em semanas; combates prosseguem.

BBC Brasil, BBC

24 de março de 2011 | 13h03

A França é um dos países da coalizão que atua na Líbia

O chanceler francês, Alain Juppé, disse nesta quinta-feira que a destruição do poderio militar do líder líbio, Muamar Khadafi, deve ser atingida em questão de dias ou semanas e não meses.

Juppe defendeu o ritmo da campanha militar para impor uma zona de exclusão aérea na Líbia e disse que ninguém deveria ter esperado que o desmantelamento da capacidade militar de Khadafi ocorresse em alguns dias.

A zona de exclusão aérea foi estabelecida na semana passada por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, com o objetivo de proteger civis de ataques pelas forças leais a Khadafi.

O ministro das Relações Exteriores francês disse esperar que a campanha no país sirva de aviso a outros regimes ditatoriais.

"Venho dizendo que o trabalho de um ditador é de alto risco. Esperemos que tudo isso sirva de exemplo", afirmou Juppé.

Também nesta quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, disse que seu governo continua em contato com rebeldes líbios a quem disse ter pedido que iniciem preparativos para um processo de transição de poder.

Hague disse que as negociações estão sendo feitas com o Conselho Nacional Interino, baseado em Benghazi e que um representante da organização foi convidado para a conferência internacional sobre a Líbia que o governo britânico organiza em Londres, na próxima terça-feira.

Combates

Confrontos entre rebeldes e forças pró-governo da Líbia continuaram na madrugada desta quinta-feira, apesar da quinta noite consecutiva de ataques aéreos promovidos pela coalizão internacional.

Várias explosões foram ouvidas durante a madrugada na capital do país, Trípoli.

Confrontos continuam em várias cidades da Líbia

Na cidade de Misrata, a terceira maior do país, parcialmente controlada pelos rebeldes, tanques do governo dispararam contra uma área próxima a um hospital.

Também há relatos de combates intensos entre rebeldes e forças leais a Khadafi na cidade de Ajdabiya.

Moradores da cidade relataram ter visto disparos de mísseis e de artilharia e casas incendiadas.

Uma explosão foi relatada em uma base militar na região de Tajura, ao leste de Trípoli.

Civis

O comandante americano para a missão na Líbia, Gerard Hueber, afirmou nesta quarta-feira que não há relatos de mortes de civis durante a ofensiva aérea da coalizão internacional.

A declaração de Hueber foi feita após o governo líbio ter afirmado que havia civis entre as vítimas dos ataques.

"Estamos pressionando as tropas terrestres de Khadafi que estão ameaçando as cidades", disse Hueber, esclarecendo que isso vem sendo feito por ataques aéreos.

"Nossa missão aqui é proteger a população civil. Por isso, escolhemos nossos alvos e planejamos nossas ações tendo isso como nossa prioridade máxima."

O comandante da Aeronáutica britânica em operação na Líbia, Greg Bagwell, havia dito, horas antes, que a Força Aérea de Muamar Khadafi não existia mais como ameaça militar.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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