Destruição não reduz humanidade do país, diz jornal libanês

O jornal libanês em língua inglesa Daily Star traz editorial com o título "A capacidade do Líbano de reconstruir é maior do que a dos outros em destruir". O texto comenta que "nada pode descrever o sentimento de haver trabalhado ao longo de 15 anos para reconstruir um país a partir das ruínas da guerra, apenas para vê-lo novamente ser reduzido a escombros em um período de dias".Mas, de acordo com o jornal, "o clima de horrenda destruição não reduziu o espírito de humanidade do país". Segundo o Daily Star, enquanto Israel segue jogando bombas no país, "muitos libaneses estão se armando com determinação e canalizando todas suas energias para dar assistência e abrigo a seus concidadãos"."Partidos políticos como o Movimento Patriótico Livre e o Partido Socialista Progressivo, transformaram suas sedes em abrigos temporários, fornecendo comida, água e palavras de alívio para refugiados aterrorizados. Igrejas cristãs e escolas abriram suas portas para acomodar refugiados em sua maioria xiitas, mostrando que a compaixão e a piedade não conhecem barreiras religiosas ou sectárias", comenta.Estes gestos, conclui o jornal, "provam mais uma vez que a vontade dos libaneses em sobreviver e em reconstruir é bem mais forte do que a de outros em matar e destruir. Eles sabem que Israel lançou uma missão mortal para fazer com que seu país ´volte 20 anos no tempo´, um ataque que tomou a vida de 300 civis em apenas oito dias. Mas, apesar disso, os libaneses estão se atendo à crença de que não importa quão forte pisem neste país, ele mais uma vez renascerá das cinzas, mais determinado ainda para prosperar".Críticas a NasrallahO jornal em língua inglesa do Kuwait Arab Times traz um texto do ex-ministro do Petróleo do país, Ali al-Baghli, que afirma que o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, está sendo criticado por "todo mundo", por haver tomado "a decisão de levar um país à guerra sem consultar os líderes do país em questão".De acordo com o ex-ministro, Nasrallah deveria saber que "Israel é um inimigo que não demonstra qualquer piedade e que lida com árabes da maneira mais sangrenta possível. Acima de tudo, Nasrallah deveria saber que Israel está querendo a cabeça do Hezbollah e suas armas a qualquer preço".O articulista afirma que "o Líbano voltou 50 anos no tempo?, devido à insaciável sede de sangue de Israel e à teimosia de sempre de árabes que não puseram fim ao episódio dos dois soldados capturados. O ex-ministro conclui dizendo: "A decisão de destruir o Líbano pode ter sido tomada por Israel, que é um país racista e criminoso, mas quem foi que deu a Israel a razão para tomar tal decisão?".Força do HezbollahO jornal israelense Haaretz traz uma análise sobre o Hezbollah na qual afirma que o grupo militante libanês não está dando quaisquer sinais de enfraquecimento. Ao comentar a morte de dois soldados israelenses durante combates com os ativistas na quarta-feira, o diário afirma que o incidente ilustra três coisas: "Primeiro, que assim como as Forças de Defesa de Israel, o Hezbollah vem se preparando para esta confrontação há seis anos. Segundo, que nem tudo pode ser feito a partir do ar. Terceiro, que tal operação envolve um grande número de mortes, e o governo terá de levar em conta este fato caso decida por uma invasão no futuro".O diário acrescenta que, no entender de diplomatas europeus, Israel ficou preso em uma armadilha, "porque não pode interromper a operação sem ter ganhos políticos para mostrar à opinião pública israelense, mas combates prolongados irão minar a firmeza de seus cidadãos e não irão garantir as esperadas conquistas".

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