Detalhando os custos da luta contra o EI

Para dar armamento e treinamento para curdos, iraquianos e sunitas moderados, Obama quer mais US$ 5,6 bilhões

WALTER, PINCUS, THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2014 | 02h03

Os custos da luta contra o Estado Islâmico (EI) continuam a aumentar. A saída do secretário da Defesa dos EUA Chuck Hagel pode ter sido um deles, mas quero me concentrar nos gastos. Para pagar as operações contra os extremistas, o governo pediu ao Congresso a aprovação de uma despesa adicional de US$ 5,6 bilhões. Diariamente, o Pentágono estima que cerca de US$ 8 milhões sejam necessários. Essa soma, que só deve aumentar, não oferece um quadro completo da situação. É preciso detalhar alguns números.

A Força Aérea, por exemplo, solicitou um gasto adicional de US$ 1 bilhão para operações, manutenção e pessoal. Mísseis teleguiados e outras bombas usadas para auxiliar as forças iraquianas combatendo em terra deverão custar US$ 70 milhões. O Exército também solicitou mais US$ 1 bilhão para despesas com novas operações, manutenção e pessoal em combate. O comandante do Exército, general Ray Odierno, disse na semana passada que a decisão de reduzir a força militar total americana de 490 mil para 450 mil homens em 2019 precisa ser revista. "Trabalhamos com a hipótese de que não retornaríamos ao Iraque - e estamos de volta ao país."

O pacote de recursos para combater o EI abrange US$ 464 milhões para ampliação das operações de inteligência, incluindo dados de satélites, além de US$ 39 milhões que serão usados na compra de equipamentos para o Comando de Operações Especiais.

No custo estimado pela Força Aérea, US$ 544 milhões serão para "fins secretos". Também há um pedido de US$ 1,6 bilhão destinado ao treinamento e para equipar o Exército iraquiano, pagar dezenas de milhares de fuzis, metralhadoras, lançadores de foguetes, uniformes e outros equipamentos. Cerca de US$ 2 bilhões irão diretamente para o Exército iraquiano para treinar e equipar nove brigadas, de acordo com documento da Controladoria da Defesa enviado ao Congresso. O montante de US$ 354 milhões será usado para equipar três brigadas de peshmergas, as milícias curdas que combatem os radicais sunitas.

Os EUA têm enfrentado problemas com a corrupção dentro do governo iraquiano e das suas forças de segurança, incluindo a maneira como o equipamento militar é utilizado. Além disso, há dúvidas sobre quão qualificados estão os iraquianos para operar e manter o material fabricado nos EUA.

Embora tenha sido anunciado que o programa para treinar e equipar os soldados implicará o envio de mais 1,5 mil soldados americanos, aparentemente, isso exigirá também mais técnicos contratados pela Defesa para ensinar iraquianos a operar equipamentos. Recentemente, autoridades curdas em Washington disseram que estavam solicitando armas mais pesadas ao governo dos EUA. A lista de equipamentos destinados aos curdos inclui 393 tanques blindados, 600 caminhões de médio porte, 30 caminhões de resgate e 30 caminhões-tanque.

O pedido de armas para as forças tribais iraquianas inclui, ainda, US$ 4,5 milhões para aquisição de cinco mil fuzis AK-47 e munição. Um anúncio feito na semana passada pelo Comando Militar Sealift pode muito bem ter se referido à questão do embarque desse material. O comando pretendia fretar um navio para transportar 50 contêineres de munição que sairão dos portos de Ploce, na Croácia, e Pireu, na Grécia, em fevereiro, e entregues no porto iraquiano de Umm Qasr.

Uma provisão inusitada faz parte do pedido de US$ 1,6 bilhão, indicando mais uma vez que o governo Obama não pretende agir individualmente. A proposta delimita 40% das compras - US$ 640 milhões, declarando que os iraquianos e outros governos terão de pagar ou contribuir para custear o valor total. No momento, contudo, o montante de US$ 5,6 bilhões aguarda aprovação do Congresso. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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