Andrea Mantovani / The New York Times
Andrea Mantovani / The New York Times

Cepa de coronavírus surgido no Reino Unido se espalha por vários países

Governos da Europa recebem as primeiras doses da vacina contra a covid e começam imunização enquanto preocupação com variante do vírus aumenta; fora do continente, Japão relata casos e proíbe entrada de estrangeiros não residentes para evitar disseminação

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2020 | 00h38
Atualizado 26 de dezembro de 2020 | 20h56

BRUXELAS - Em meio ao recente temor com a disseminação da nova cepa do coronavírus surgida no Reino Unido e com diversos países sob novas regras de confinamento, a União Europeia (UE) recebeu neste sábado, 26, as primeiras doses de suas vacinas contra a covid-19, que já deixou mais de 540 mil mortos. Ao longo da manhã de ontem, os imunizantes da Pfizer e da BioNTech foram entregues em hospitais e lojas de países como França, Espanha e Itália.

Os primeiros cidadãos a receber a vacina serão pessoas com idade avançada e funcionários da área de saúde. Cada país estabelecerá suas prioridades e a maioria dos países prevê distribuí-las a partir deste domingo. Na Alemanha, a vacinação começou neste sábado e Edith Kwoizalla, de 101 anos, foi a primeira a receber uma dose. A Hungria também iniciou a vacinação.

Enquanto isso, os países europeus se preocupam com a chegada de uma nova variante do coronavírus que foi descoberta na Inglaterra. França, Espanha, Suécia, Alemanha e Itália já relataram casos confirmados.

Neste sábado, foram detectados pelo menos quatro casos em Madri, Espanha. Três dos casos foram registrados na mesma família, que esteve em contato com uma pessoa que chegou a Madri de avião proveniente do Reino Unido. O quarto caso confirmado da nova variante se refere a um homem que entrou no país em outro voo. 

“Os pacientes não estão gravemente enfermos, sabemos que essa cepa é mais transmissível, mas não causa doença mais grave”, disse Antonio Zapatero, vice-conselheiro de Saúde Pública da região de Madrid.

A nova cepa de covid-19 pode ser até 70% mais contagiosa, de acordo com um estudo da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.

Outros seis casos positivos da nova cepa foram diagnosticados na Itália, elevando para 11 os casos confirmados desta variante no país. As seis pessoas diagnosticadas ontem chegaram à Itália nos procedentes de Londres e realizaram testes de covid-19 no aeroporto Capodichino, em Nápoles, poucos dias antes da suspensão dos voos procedentes do Reino Unido.

Também foram detectados três casos na região de Veneza na véspera de Natal, dois na região de Puglia (sul) e outros dois, que ainda precisam ser confirmados, em Abruzo, ao leste da capital Roma.

Na França, o primeiro caso de contágio pela nova cepa do vírus foi registrado em Tours, no centro do país, anunciou o Ministério da Saúde. O francês contaminado é residente no Reino Unido e está assintomático.

Segundo o ministério francês, “várias amostras positivas que poderiam evocar a variante VOC 202012/01 estão em curso de sequenciamento”.

Na Suécia, a nova variante do coronavírus foi detectada depois que um viajante do Reino Unido ficou doente e deu positivo, disse a Agência de Saúde Sueca ontem. Sara Byfors, oficial da Agência de Saúde. O viajante não identificado estava em Sormland, ao sul de Estocolmo, e está em isolamento.

Também foram confirmados os primeiros casos na Alemanha. Antes do fim de semana, já haviam sido detectados contágios em Dinamarca, Holanda e Austrália.

Desde 20 de dezembro, os moradores de várias regiões da Inglaterra são submetidos a um confinamento para tentar frear a nova variante do vírus, a princípio mais contagiosa, que acelerou os contágios. Ontem, 24 milhões de pessoas, ou seja, 40% da população da região, devia permanecer em suas casas.

Neste momento, a Europa é a região do mundo onde o vírus se propaga mais rapidamente, com uma média de 250 milnovos casos por dia na semana passada.

Fora da Europa

Na sexta-feira, o Japão havia relatado as primeiras infecções pela nova cepa do vírus. Cinco passageiros que chegaram ao Japão entre 18 e 21 de dezembro. Eles não apresentaram sintomas e foram colocados em isolamento. O país anunciou ontem que vai proibir temporariamente a entrada de estrangeiros não residentes no país. / AFP, Reuters e Efe

 

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