Mast Irhan/EFE
Mast Irhan/EFE

Detector de tsunami está quebrado, diz indonésio

Por falta de manutenção, aparelho ultramoderno não teria notificado autoridades sobre onda gigante de segunda-feira; total de mortos chega a 370

, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2010 | 00h00

Equipes de socorro que conduzem buscas no arquipélago indonésio arrasado por um tsunami na segunda-feira revelaram ontem que o total de mortos na tragédia já chega a 370. Também ontem, surgiram informações extraoficiais de que o detector de tsunami de Jacarta - equipamento sofisticado de milhões de dólares - estava quebrado e, por isso, não antecipou o desastre.

O aparelho tinha sido instalado em 2004, após o tsunami que varreu o extremo Leste Asiático. Em condição de anonimato, autoridades disseram que o detector estava fora de funcionamento por falta de manutenção. Um alerta poderia ter ajudado o governo a esvaziar as regiões mais vulneráveis, completaram as autoridades.

No entanto, um funcionário alemão que ajuda a operar o equipamento negou irregularidades e afirmou que, como o epicentro estava muito perto das Ilhas Mentawai, seria praticamente impossível retirar as pessoas a tempo.

Em meio à avalanche de notícias ruins, socorristas disseram ter encontrado um bebê de 18 meses na Ilha de Pagai Selatan. A criança teria sido inicialmente encontrada por um garoto de 10 anos. Os pais do bebê estão entre as vítimas do tsunami.

Corpos pelas ruas. Parentes das centenas de vítimas da tragédia realizaram ontem uma incineração coletiva de corpos no cume do Monte Merapi, um dos mais altos do arquipélago.

O presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, reuniu-se ontem com parentes de pessoas mortas na catástrofe.

Com as ondas gigantes, encostas e regiões irregulares cederam, encobrindo de terra estradas e casas. Ferry Faisal, da equipe de socorro de Sumatra Ocidental, afirmou à imprensa local que quase 400 pessoas ainda estão desaparecidas. Mas a informação não foi confirmada por autoridades de Jacarta.

Equipes de socorro encontraram um cenário de sangue e destruição nas regiões afetadas pelo tsunami. Nas Ilhas Mentawai, vários cadáveres espalhavam-se por ruas de terra e caminhos de areia, contou o chefe dos socorristas, identificado como Harmensyah. "Muitos corpos foram levados pelo mar."

A devastação provocada pelo tsunami, somada às péssimas condições meteorológicas, impediram autoridades a prestar socorro imediato às vítimas. Em algumas regiões, as equipes de socorro só conseguiram chegar ontem. Estima-se que a cifra de mortos aumente ainda mais.

Em Pagai Utara, uma das quatro principais ilhas de Mentawai, bombeiros usavam máscaras para suportar o odor dos corpos, que eram ensacados e enviados a necrotérios improvisados. / AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.