Detento causou incêndio em presídio de Honduras

Um incêndio iniciado por um detento se espalhou por uma prisão hondurenha superlotada e matou 356 pessoas, num dos piores incêndios prisionais do último século, afirmaram autoridades nesta quinta-feira.

AE, Agência Estado

15 de fevereiro de 2012 | 18h10

Os sobreviventes disseram aos investigadores de um preso não identificado gritou "vamos todos morrer aqui!" depois que um companheiro de cela ateou fogo à sua cama, na noite de terça-feira. A prisão, onde cumpriam pena condenados por crimes graves como homicídio e roubo armado, está localizada na cidade de Comayagua, região central de Honduras.

O fogo se espalhou em minutos, matando cerca de 100 presos em suas celas, enquanto os bombeiros lutavam para encontrar os funcionários que tinham as chaves das celas, afirmou o porta-voz dos bombeiros de Comayagua, Josué Garcia. "Nós não conseguimos retirá-los porque não tínhamos as chaves e não pudemos encontrar os guardas que as tinham", disse ele.

Outros prisioneiros foram soltos pelos guardas, mas morreram por causa das chamas ou da fumaça quando tentavam fugir para os campos próximos à instalação, onde prisioneiros condenados cultivam milho e feijão em fazendas estatais.

Equipes de resgate retiraram prisioneiros sem camisa e semiconscientes segurando-os por seus braços e pernas. Um dos integrantes da equipe carregou um preso nas costas.

Um prisioneiro identificado como Silverio Aguilar disse à rádio HRN que desconfiou que algo estava errado quando ouviu alguém gritando "Fogo! Fogo!". "Durante algum tempo, ninguém ouviu. Mas após alguns minutos, que pareceram uma eternidade, um guarda apareceu com as chaves e nos deixou sair", disse ele. De acordo com Aguilar, havia 60 prisioneiros em sua cela.

Cerca de 475 pessoas escaparam e 356 estão desaparecidas e supõem-se que estejam mortas, disse Hector Ivan Mejia, porta-voz do Ministério de Segurança de Honduras. Ele disse que 21 pessoas ficaram feridas.

Honduras tem um dos mais altos índice de crimes violentos do mundo e suas prisões deterioradas e superlotadas têm registrado uma série de rebeliões nos últimos cinco anos. Autoridades prometem melhorar as condições, mas a seguir afirmam que não têm recursos suficientes para isso. As informações são da Associated Press.

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