AFP PHOTO / JUAN BARRETO
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Detentos denunciam fraude da oposição em referendo na Venezuela

Governo leva presidiários para protestar contra inclusão de assinaturas em abaixo-assinado contra Nicolás Maduro

O Estado de S. Paulo

17 Junho 2016 | 19h16

CARACAS -  Cerca de 300 detentos venezuelanos, mobilizados pelo governo chavista, protestaram ontem na Procuradoria-Geral da República contra uma suposta fraude no recolhimento de assinaturas para o referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro. Os presidiários dizem que seus nomes foram incluídos de maneira irregular nas fichas. 

“Fraude!, Fraude!”, gritavam os manifestantes, vestidos nos uniformes azul e amarelo do sistema prisional venezuelano. 

A ministra de Assuntos Penitenciários, Iris Varela, apresentou um documento à promotoria no qual diz ter constatado 81 casos de assinaturas falsificadas nas quais foram usadas identidades de detentos. 

“Se atreveram a usar dados de mais de 1,3 mil presidiários”, disse a ministra, aplaudida pelos detentos dos presídios de El Rodeo, Yare e Los Teques . “Encontrei assinaturas que jamais poderiam ter assinados esses requerimentos.”

A ministra ainda pediu que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) que cruze os dados dos 50 mil presidiários venezuelanos com as 1,3 milhões de assinaturas que pedem pela revogação do mandato de Maduro ainda válidas. Outras 600 mil já foram invalidadas.

 

Um dos líderes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Darío Vivas, disse que, caso novas irregularidades, o processo tem de ser suspenso. 

A oposição acusa o chavismo de atrasar propositalmente o processo para impedir que a votação ocorra ainda este ano - prazo para que, em caso de derrota chavista, novas eleições sejam convocadas. Se o referendo ocorrer no ano que vem, Maduro seria substituído pelo vice, também chavista.

 

Maduro atravessa uma grave crise de popularidade, motivada pela crise de escassez e inflação. Após a eleição da maioria opositora na Assembleia, o Judiciário tem anulado a maioria das decisões da oposição. /EFE

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