Ralph Orlowski/Reuters
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Deutsche Bank não vai fazer mais negócios com Trump, diz jornal

Presidente tem US$ 340 milhões em empréstimos pendentes com o banco alemão, que estaria cansado da publicidade negativa decorrente da relação, de acordo com o jornal The New York Times

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2021 | 11h19
Atualizado 12 de janeiro de 2021 | 14h31

NOVA YORK - O Deutsche Bank, o maior banco da Alemanhanão fará mais negócios no futuro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trumpe com suas empresas. A informação foi publicada pelo jornal The New York Times nesta terça-feira, 12, dias após os ataques no Capitólio dos EUA por extremistas pró-Trump que deixaram cinco mortos. 

O Deutsche Bank é o credor mais importante do presidente, com cerca de US$ 340 milhões em empréstimos pendentes para a Trump Organization, grupo supervisionado por seus dois filhos. Procurado, o banco ainda não comentou oficialmente. A Trump Organization e a Casa Branca também não comentaram. 

A agência de notícias Reuters relatou em novembro que o Deutsche Bank estava procurando maneiras de encerrar seu relacionamento com Trump após as eleições nos Estados Unidos. A medida teria como base evitar a publicidade negativa decorrente dos laços. 

Christiana Riley, chefe das operações do banco nos EUA, condenou a violência da semana passada em um post no LinkedIn. “Temos orgulho de nossa Constituição e apoiamos aqueles que buscam defendê-la para garantir que a vontade do povo seja mantida e uma transição pacífica de poder ocorra”, escreveu ela.

O banco alemão, que começou a fazer negócios com Trump no final da década de 1990, foi arrastado para o Congresso e outras investigações sobre as finanças do magnata do mercado imobiliário que virou político e supostas conexões com a Rússia.

As investigações e a publicidade negativa, vistas por um executivo sênior como “sérios danos colaterais” do relacionamento, são indesejáveis para o banco, disseram três funcionários ouvidos pela Reuters. Além disso, as empresas que financiam os empréstimos enfrentam desafios. A desaceleração econômica causada pelo coronavírus atingiu a indústria de viagens, incluindo os hotéis. 

Relação conturbada

Antes de chegar à Casa Branca, Trump dispunha de contas no Deutsche Bank por conta de seus negócios no setor imobiliário. O maior banco da Alemanha foi um dos grandes provedores de liquidez para a família Trump e uma das poucas entidades que não se retiraram diante do risco que outros consideravam em relação aos negócios do magnata nova-iorquino. 

A relação entre Trump e o banco passou por momentos difíceis. Em 2008, ele processou a área do banco responsável por imóveis depois de ter deixado de pagar um financiamento de US$ 40 milhões usado para a construção de um hotel em Chicago. Na época, Trump acusou o Deutsche Bank de ser um dos causadores da crise financeira, por conta da qual supostamente não teria pagado o empréstimo, e pediu US$ 3 bilhões.

Depois do caso, a divisão de fortunas privadas da empresa europeia emprestou mais dinheiro para Trump pagar a dívida. Além disso, por anos o banco resistiu a explicar sua relação com Trump na Câmara e no Senado. Em 2017, o banco alemão entregou ao FBI informação sobre as contas de Trump como parte das investigações sobre a suposta interferência da Rússia nas eleições presidenciais americanas. / Reuters e NYT 

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