Devoção e repúdio ao kirchnerismo ditam resultado equilibrado

Eleitores, aparentemente, decidiram pelo empate na votação de domingo, dando aos dois candidatos uma votação igual

Peter Prengaman, AP, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2015 | 02h01

O candidato presidencial do partido governista argentino, Daniel Scioli, prometeu a continuidade com algumas mudanças, enquanto o principal candidato da oposição, Mauricio Macri, prometeu mudanças com alguma continuidade.

Os eleitores, aparentemente, decidiram pelo empate na votação de domingo, dando aos dois candidatos uma votação igual e forçando um segundo turno em sua tentativa de suceder à presidente. Cristina Kirchner, líder polarizadora, recebeu em igual medida a devoção e o repúdio com seus fortes gastos para os pobres e os seus duros ataques aos adversários políticos e a outras nações, como os Estados Unidos.

Scioli, o governador da Província de Buenos Aires, considerado um franco favorito em razão do apoio de Cristina, admirado por reescrever o contrato social, também atraiu severas críticas pelas acusações de corrupção durante os "anos K" - e pelos numerosos problemas econômicos, como uma elevada inflação.

A forte votação recebida por Macri, o prefeito de Buenos Aires, mostrou que muitos eleitores estão dispostos a mudar depois de 12 anos de kirchnerismo, o movimento político fundado por Cristina e seu marido e antecessor na presidência, Néstor Kirchner, morto em 2010.

A campanha de Macri, com base principalmente nas suas afirmações da necessidade de uma reorganização da economia da Argentina, promete resolver o longo embate com os credores americanos (apelidados pela presidente de "fundos abutres") e a eliminação das impopulares restrições cambiais vigentes.

Por outro lado, o opositor procurou adequar sua campanha aos milhões que recebem alguma forma de ajuda do governo: prometeu manter os programas para os pobres, que gozam de grande popularidade entre o eleitorado, e aumentar os gastos em algumas áreas. Ele chegou a inaugurar uma estátua de Juan Perón, por três vezes presidente do país, e fundador da linha ideológica à qual Cristina pertence.

Embora as medidas prometidas por Macri tenham suscitado ceticismo e provocado profundas críticas de seu principal adversário, Scioli, provavelmente ajudaram o prefeito a conquistar eleitores indecisos. No entanto, a decisão de ambos os candidatos de optar por uma posição centrista também desperta muitas dúvidas a respeito do que conseguirão realizar depois de eleitos. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

PETER PRENGAMAN É JORNALISTA

 

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