Devolução do poder aos iraquianos não pode ser rápida, diz Powell

Em resposta à pressão internacional para a rápida devolução do poder aos iraquianos, o secretário americano de Estado, Colin Powell, disse hoje em Bagdá que apressar a devolução da soberania pode mergulhar o Iraque no caos. "A pior coisa que pode acontecer é levar este processo rápido demais, antes de haver no país um governo capaz e bases para sua legitimidade, e depois ver tudo isso fracassar", declarou Powell no primeiro dia de uma visita-surpresa a Bagdá (não anunciada com antecipação por motivos de segurança). Powell é o mais importante alto funcionário americano a ir ao Iraque desde queda do regime de Saddam Hussein, no início de abril. Ele partiu de Genebra para a Cidade do Kuwait, seguindo depois para Bagdá, onde foi recebido pelo chefe da administração civil americana, Paul Bremer. Na semana retrasada, o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, também fez uma visita não anunciada ao Iraque. "Nós não queremos permanecer aqui um dia a mais do que o necessário. É caro. Nossos jovens soldados gostariam de voltar para casa, para suas famílias", afirmou o secretário. "Mas nós não podemos apenas dizer: ´Vocês são um governo, ótimo, vão em frente, vocês têm a autoridade...´ Levará algum tempo até que algum governo possa assumir a responsabilidade pela segurança." Os comentários de Powell eram mais uma resposta à recusa da Rússia, França e China em endossar o esboço de resolução apresentado pelos EUA ao Conselho de Segurança (CS) da ONU para a criação de uma força multinacional a ser enviada ao Iraque. Os chanceleres dos cinco membros permanentes do CS - Rússia, China, França, Grã-Bretanha e EUA - reuniram-se neste sábado, em Genebra, sob mediação do secretário geral da ONU, Kofi Annan, e apenas concordaram que a soberania e o controle político no Iraque devem ser transferidos ao povo iraquiano o mais rápido possível. Os EUA propuseram ceder mais poder à ONU e estabelecer um calendário para a devolução da soberania aos iraquianos, mas Rússia, França e China querem que a organização se encarregue da transição política e a transferência de poder comece a ser feita no prazo de um mês.

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