Dez anos do colapso da URSS

Há dez anos, Rússia, Ucrânia e Bielo-Rússia firmavam em um documento conjunto a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), criada em 1922, cinco anos depois da Revolução Socialista comandada por Vladimir Lenin. A derrocada do regime soviético e a queda do Muro de Berlim, em 1989, marcam o fim da Guerra Fria e da divisão do mundo entre comunismo e capitalismo. Mas esse grande acontecimento praticamente passou despercebido esta semana, não só porque o mundo está mergulahdo agora na guerra contra o terrorismo, mas também pelo fato de a Rússia, principal república soviética, ter perdido importância. Talvez por causa dessa decadência, pesquisa feita este ano indicou que 80% dos russos lamentam a dissolução da URSS. Foi numa reunião de cúpula em Brest, na Bielo-Rússia, que o presidente da Rússia, Boris Yeltsin, e seus colegas da Bielo-Rússia e Ucrânia fizeram constar "que a União Soviética, como entidade de direito internacional e realidade geopolítica, já não existe". É criada então a Comunidade de Estados Independentes (CEI) que congrega 12 das 15 ex-repúblicas soviéticas (a Geórgia só ingressaria no grupo em 1994). Os países bálticos, Letônia, Lituânia e Estônia, já haviam se desligado antes da URSS e não aderiram à CEI. Dez anos depois, a comunidade sucessora da URSS é considerada um órgão moribundo. O país deixara de existir de fato quatro meses antes, em agosto de 1991, depois que dirigentes da ala conservadora do Partido Comunista tentaram destituir o presidente Mikhail Gorbachev para deter o avanço das reformas políticas e econômicas no regime. Com o fracasso dos golpistas, Yeltsin se fortalece e toma medidas para desmantelar a URSS. Gorbachev demite-se do posto de secretário-geral do Partido Comunista e pede a dissolução do Comitê Central. Dias depois, o Soviete Supremo suspende as atividades do PC e retira de Gorbachev seus poderes especiais em matéria de economia. Gorbachev renuncia à presidência em 25 de dezembro de 1991.

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