Dez crianças morrem por dia em campos de refugiados somalis

Acampamento na Etiópia, com cerca de 25 mil pessoas, pode estar sofrendo com surto de sarampo

Efe

16 de agosto de 2011 | 11h25

 

GENEBRA - Uma média de dez crianças com menos de cinco anos morrem diariamente nos acampamentos de refugiados estabelecidos na Etiópia pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) para receber os milhares de somalis que buscam espacar da fome e da seca no país.

 

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O porta-voz do Acnur Adrian Edwards disse nesta terça-feira, 16, que "as taxas de mortes estão alcançando níveis alarmantes" no acampamento de Kobe, um dos quatro centros do "complexo Dolo Ado", no sul da Etiópia.

 

Ao todo, 25 mil pessoas vivem no acampamento, onde "um possível surto de sarampo, unido às altas taxas de desnutrição severa, parecem ser as principais causas das mortes", segundo o funcionário. Edwards explicou que em Dolo Ado foram confirmados 148 casos de sarampo e 11 mortes pela doença.

 

"Esta combinação fatal causou historicamente taxas similares de óbitos em crise alimentícias prévias na região", assinalou o porta-voz do Acnur, segundo quem terá início de forma "imediata" um plano de vacinação em todos os campos.

 

Na segunda-feira a primeira fase de vacinação foi completada no acampamento de Kobe, incluindo todas as crianças entre seis meses e 15 anos, e o programa será estendido pelos próximos dias. Christopher Haskew, analista do Acnur em saúde pública, indicou que o sarampo "é altamente contagioso e pode ter efeito devastador nas crianças, especialmente nas mal alimentadas".

 

Enquanto isso, a 250 quilômetros ao norte de Dolo Ado, o êxodo de somalis que fogem da seca e da guerra continua constante, com a chegada de 17,5 mil novos refugiados nas últimas seis semanas às regiões etíopes de Gode e Afder. A maioria dos refugiados vem de regiões somalis e 95% são mulheres e crianças pequenas, "a maioria em situação nutricional e de saúde precária", como destacou Edwards.

 

Os membros da Acnur descreveram a situação geral como "desesperadora" e fizeram uma nova chamada para o envio de ajuda humanitária, já que essa área da Etiópia não tem os recursos necessários para assimilar tamanho êxodo.

 

O governo etíope respondeu com o envio de comida para alimentar essas pessoas durante o período de um mês, mas advertiu que as condições de alojamento e de assistência sanitária são igualmente dramáticas. "A falta de refúgio e de ajuda sanitária, a pouca higiene e a superlotação poderiam gerar diarreias severas e sarampo", advertiu o porta-voz do Acnur.

 

Atualizado às 17h43

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