Dez países violam embargo de armas na Somália, diz ONU

O Irã, a Síria e outros oito países estão violando um embargo das Nações Unidas ao envio de armas para a Somália, segundo um relatório encomendado pela ONU. O documento diz que os governos em Teerã e Damasco mantêm vínculos com a União de Cortes Islâmicas, a milícia que controla grande parte do país. A Somália não tem um governo formal há mais de 15 anos. Preparado por especialistas que monitoram o embargo, o relatório sugere que o Irã pode ter tentado trocar armas por urânio para avançar com suas ambições nucleares. Muitos dos países citados no documento negam as acusações. Entre os demais países relacionados pelo relatório, a Etiópia e a Eritréia são citados como os maiores violadores do embargo. A Etiópia é acusada de enviar armas ao frágil governo somali, enquanto a Eritréia estaria apoiando a oposição islâmica. O que é mais impressionante sobre o relatório são os dados detalhados sobre as ligações de países como o Irã, a Síria e o Líbano com a União das Cortes Islâmicas. Os autores dizem, por exemplo, que 720 milicianos somalis viajaram ao Líbano para ajudar o Hezbollah a lutar contra Israel durante os conflitos de julho. A Síria teria enviado uma aeronave cheia de armas para a capital da Somália, Mogadiscio. O Irã teria enviado carregamentos de armas para a Somália entre julho e setembro. E um parágrafo do relatório diz que dois iranianos na Somália estão tentando conseguir urânio em troca do envio de armas. O Irã quer urânio para seu programa nuclear, o qual insiste ser pacífico, enquanto países ocidentais temem que o país esteja buscando desenvolver uma bomba nuclear. O Conselho de Segurança da ONU deve discutir as conclusões do relatório sobre o embargo na semana que vem.

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