Dez pessoas morrem em confronto armado na Somália

Dez pessoas morreram e 13 ficaram feridas em um confronto armado na região central da Somália, um dia depois de o governo de transição rejeitar a iniciativa de paz assinada por um de seus mais importantes legisladores e pela milícia islâmica. "Os tribunais islâmicos tomaram o povoado de Bandiradley após várias horas de confrontos, mas a maioria das mortes foi de quem lutava", confirmou um dos moradores da região. "Estamos indo embora porque nosso povoado está se tornando um iminente campo de batalha", acrescentou. Fontes da União de Tribunais Islâmicos confirmaram a tomada de Bandiradley, 60 quilômetros a sudoeste de Gaalkacyo, uma das cidades mais importantes de Puntlandia, a 35 quilômetros da fronteira com a Etiópia. A região autônoma de Puntlandia, no norte do país, é uma das poucas áreas que não estão sob controle da milícia dos tribunais muçulmanos. O porta-voz da União de Tribunais Islâmicos, Mohammed Mohamoud Agaweine, afirmou que a ofensiva foi lançada contra eles. "Vencemos eles e estamos perseguindo os soldados que restam", disse o porta-voz. "Capturamos dois tanques com bandeira etíope e 11 caminhonetes da artilharia". No entanto, o ministro da Informação de Puntlandia, Abdurahman Mohammed Bankahdenied Agaweyine, negou a afirmação e disse que, pelo contrário, seus efetivos é que foram atacados. "A milícia islâmica atacou Puntlandia para ampliar seu poder, nossas forças lutaram contra eles", afirmou. O medo se estende com a possibilidade de que a guerra na Somália atinja toda a região, se algum dos países vizinhos se envolver abertamente. Tribunais tentaram conquistar poder da Somália Em 19 de outubro, o primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, admitiu ter enviado instrutores militares à Somália para ajudar a enfrentar a União de Tribunais Islâmicos, que tinha declarado jihad (guerra santa), contra o Governo e seus aliados. O governante disse ainda que entre os membros da União de Tribunais Islâmicos, havia milicianos da Indonésia, do Paquistão, de vários países árabes e de nações africanas que também praticam o Islã. No início deste ano, os tribunais muçulmanos buscaram conquistar o poder da Somália, em meio ao caos e ao desgoverno desde 1991, quando líderes tribais derrubaram o ditador Mohammed Siad Barre e dividiram o território entre eles. Um acordo de paz preliminar assinado na sexta-feira entre a União de Tribunais Islâmicos e o presidente do Parlamento somali, Sharif Hassan Sheik Aden, foi arruinado depois que o governo desaprovou a iniciativa. Piratas são presos por posse de navio As forças da União detiveram oito supostos piratas que tomaram um navio neste domingo em Mogadíscio, o MV Veesham 1, que transportava carvão a Dubai. Os piratas tomaram o MV Veesham no final de outubro e pediram US$ 1 milhão como resgate, mas a força antipirataria da União de Tribunais Islâmicos conseguiu resgatar a embarcação e sua tripulação após sete dias de cativeiro. As autoridades em Mogadíscio garantem que os detidos pegarão a pena máxima, que, no caso de pirataria, pode ser condenação à morte, de acordo com a lei islâmica. Os tribunais muçulmanos, cujas milícias controlam a capital e o sul da Somália, executaram publicamente dois homens acusados de assassinato, há dois meses. Apesar de a comunidade internacional temer que os tribunais islâmicos imponham uma "talibanização" na Somália, a União de Tribunais Islâmicos ganhou o apoio de grande número de somalis, que acreditam ter atingido uma relativa segurança na capital e em outras cidades.

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