Esteban Felix/AP
Esteban Felix/AP

Dez povos indígenas terão direito a 17 cadeiras entre constituintes no Chile

Mapuches vão ter maior quantidade de vagas; participação da decisões do país é importante, diz especialista

Rafael Carneiro, especial para o Estadão

15 de maio de 2021 | 05h00

SANTIAGO - Os povos originários do Chile também terão o seu lugar na Assembleia Constituinte, que será eleita neste fim de semana. Serão 17 cadeiras reservadas para os 10 povos indígenas do país. Eles concorrerão por uma lista própria e apenas os indígenas inscritos no Serviço Eleitoral (Servel) ou que tenham algum documento que comprove que fazem parte de alguma etnia poderão votar. Os mapuches serão os mais representados, com sete assentos, seguidos pelos aymaras, com dois. 

Mestre em antropologia pela Universidade de Brasília (UnB), Luis Campos vê a participação dos povos originários na redação da nova Carta Magna como algo muito positivo. “É necessário gerar um novo acordo no país que incorpore os indígenas com reconhecimento constitucional, como outros países já fizeram. E que eles possam participar em todas as decisões que competem a eles”, afirma o acadêmico chileno.

Segundo dados do último censo realizado no Chile, em 2017, cerca de 12% da população chilena é de origem indígena. Desses, 79,8 % se declaram mapuches. A etnia se distribui por várias regiões do Chile, mas está presente principalmente na zona central, onde está localizada a capital, Santiago

Alihuen Antileo é um dos candidatos indígenas. Nascido em Temuco, no sul do país, se mudou para Santiago quando ainda era criança. Dentre as suas propostas para a nova Constituição está tornar o Chile um país plurinacional e plurilinguístico, que o ensino do mapudungun, a língua mapuche, seja obrigatório nas escolas públicas, e também que seja criado um banco de desenvolvimento indígena.

Além da lista indígena, os partidos conservadores, incluindo um de extrema direita, base de apoio do presidente, Sebastián Piñera, figuram em uma lista única, enquanto as legendas de oposição de centro-esquerda se divide em vários blocos. No total, existem mais de uma centena de listas, incluindo muitas independentes. 

Durante os debates, o setor que obtiver um terço dos 155 votos na Assembleia Constituinte poderá vetar as propostas de seus adversários, que necessitariam de acordos transitórios para atingir os dois terços necessários para traduzir suas ideias em dispositivo constitucional.

Os votos começam a ser apurados neste domingo, 16. Primeiro, serão contados os votos dos constituintes, depois os dos povos indígenas, dos governadores, seguidos dos prefeitos e, por último, dos vereadores. O Chile costuma ter os resultados eleitorais poucas horas após o fechamento das urnas. No entanto, desta vez, os resultados devem demorar mais em razão do processo complexo que mistura sistema proporcional com voto distrital, além do ajuste entre candidatos homens e mulheres, que devem ter representação equivalente. /Com agências

 

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