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Nigéria resgata 82 meninas sequestradas pelo Boko Haram em 2014

Estudantes da cidade de Chibok foram trocadas por membros do grupo extremista após meses de negociação; elas serão recebidas no domingo pelo presidente do país, Muhamadu Buhari

O Estado de S.Paulo

06 Maio 2017 | 19h43
Atualizado 06 Maio 2017 | 22h01

MAIDUGURI, NIGÉRIA - A Nigéria confirmou neste sábado, 6, a libertação de 82 estudantes das mais de 200 sequestradas em Chibok, no nordeste do país, pelos extremistas do grupo extremista Boko Haram há mais de três anos.

“Hoje, outras 82 meninas de Chibok foram libertadas em troca de alguns supostos membros do Boko Haram detidos pelas autoridades”, tuitou a presidência da Nigéria, acrescentando que as jovens são esperadas no domingo na capital Abuja.

“Após longas negociações, nossas agências de segurança trouxeram as meninas de volta”, completou a presidência, sem especificar quantos extremistas teriam sido soltos.

Uma fonte militar de Banki confirmou que “pelo menos 80 jovens de Chibok foram levadas para Banki”. “Elas partirão de avião para Maiduguri, no Estado de Borno,  e, depois, para Abuja”. Na capital, serão recebidas pelo presidente Muhammadu Buhari.

Enoch Mark, pai de uma dessas garotas, também confirmou a notícia. “Fomos postos a par pelo movimento Bring Back Our Girls (Tragam nossas garotas de volta) e por um oficial do Estado de Borno. É uma excelente notícia para nós.”

Em um comunicado publicado no Twitter, o movimento pelo retorno das meninas afirmou que “as expectativas são grandes”. “Nos alegra ouvir, de maneira oficial, que esta notícia está confirmada e é certa”.

Na sexta-feira, as embaixadas britânica e americana disseram ter  informações de que o Boko Haram planejava sequestrar estrangeiros “ao longo do eixo Banki-Kumshe”. Particularmente ativas nessa região devastada por oito anos de conflitos, as ONGs tiveram de suspender suas atividades na área.

Em meados de abril, completaram-se três anos do sequestro de mais de 200 jovens pelo Boko Haram. Divulgado pelos jornais do mundo inteiro, esse sequestro coletivo provocou uma onda de indignação, à qual muitas celebridades do mundo todo aderiram nas redes sociais com a hashtag #bringbackourgirls.

Em outubro de 2016, 21 jovens foram libertadas -  algumas delas deram à luz no cativeiro -, após negociações entre Boko Haram e o governo, com a ajuda do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR) e da Suíça.

Naquele momento, o porta-voz da Presidência, Garba Shehu, afirmou que a libertação de outras 83 jovens estava sendo negociada, mas que elas continuavam detidas por outras facções do grupo. No mês passado, Shehu disse à emissora britânica BBC que as negociações continuavam em andamento.

Esse conflito, particularmente sangrento na zona do lago Chade, deixou mais de 20 mil mortos e 2,6 milhões de deslocados. / AFP, EFE e AP

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