EFE/HERBERT P. OCZERET
EFE/HERBERT P. OCZERET

Dezenas de imigrantes morrem asfixiados em caminhão na Áustria

Polícia encontra entre 20 e 50 corpos no compartimento de carga de veículo estacionado no acostamento de uma estrada

O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2015 | 12h34

VIENA - Entre 20 e 50 refugiados, cujas nacionalidades por enquanto são desconhecidas, morreram asfixiados quando viajavam de forma ilegal pela Áustria em um caminhão frigorífico, informou a polícia austríaca nesta quinta-feira, 27.

Os corpos foram encontrados em um caminhão estacionado em uma estrada, entre o lago Neusiedl e a cidade de Parndorf, no Estado federado de Burgenland, na fronteira com a Hungria.

O diretor da Polícia desse Estado, Hans Peter Doskozil, afirmou que entre 20 e 50 mortos foram encontrados no compartimento de carga do caminhão, que tem placas da Hungria, mas transportava produtos de uma empresa eslovaca. Doskozil afirmou alguns dos corpos estão em estado de decomposição. 

A Polícia montou uma operação para encontrar o motorista do veículo, do qual não se tem nenhum rastro. O veículo chamou a atenção dos agentes porque estava há várias horas parado no acostamento da estrada.

"Esta tragédia comoveu a todos nós", declarou a ministra do Interior da Áustria, Johanna Mikl-Leitner, em entrevista na cidade de Eisenstadt. "Os traficantes de pessoas são criminosos", acrescentou Johanna, prometendo fazer todo o possível para encontrar os responsáveis. 

A descoberta coincide com o início, em Viena, de uma conferência para discutir formas de tornar os Bálcãs mais seguro e próspero, uma medida que ajudaria a diminuir a fuga de milhares de pessoas para Áustria, Alemanha e outros países da União Europeia (UE) em busca de melhores condições de vida.

Participam da conferência a chanceler alemã, Angela Merkel, a chefe de política externa da UE, Federica Mogherini, e chefes de governo dos Bálcãs, entre outras autoridades. 

Sobre os corpos encontrados nesta quinta-feira, Merkel e o chanceler da Áustria, Werner Faymann, expressaram tristeza e disseram que o caso serve como um assustador lembrete da necessidade de dar abrigo a imigrantes que fogem da guerra

"Estamos todos abalados por esta terrível notícia de que até 50 pessoas perderam suas vidas porque eles entraram em uma situação em que os traficantes não se preocupam com suas vidas", disse Merkel. "São mortes muito trágicas", adicionou a chanceler, enfatizando a necessidade de a Europa se unir e aliviar a crise atual, que faz parte da maior onda de migrantes desde a 2ª Guerra.

Em suas observações, Faymann disse que o caso "mostra mais uma vez o quanto é necessário salvar vidas e lutar contra os traficantes de pessoas". "Aqueles que olharem para trás, para a história da 2ª Guerra, sabem que havia pessoas que dependiam de asilo para sobreviver" . Hoje, o asilo político "salva vidas", disse o chanceler. / EFE e NYT

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