Teo Bizca / AFP
Teo Bizca / AFP

Dezenas de venezuelanos deixam o Peru em voo fretado por Maduro

Imigrantes aderiram ao programa 'Retorno à Pátria', criado por Caracas para apoiar cidadãos que deixaram o país e agora desejam retornar; presidente da ONG União Venezuelana no Peru diz que medida faz parte de plano para desqualificar diáspora venezuelana

O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2018 | 04h40
Atualizado 28 Agosto 2018 | 13h01

LIMA - Dezenas de venezuelanos deixaram o Peru na noite de segunda-feira, 27, em um avião enviado pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, como parte do programa "Retorno à Pátria". Os repatriados embarcaram no Aeroporto Internacional de Lima em um voo da estatal venezuelana Conviasa.

No sentido inverso da avalanche de venezuelanos que cruzaram a fronteira peruana nas últimas semanas, estes 89 emigrantes arrependidos, entre eles 22 crianças, estavam felizes em pegar o avião de regresso à pátria, apesar da severa crise política e econômica que atinge a Venezuela.

Segundo governo venezuelano, o  grupo não teria encontrado as oportunidades que buscavam no estrangeiro. Já o presidente da ONG União Venezuelana no Peru, Óscar Pérez, afirmou, através de um comunicado divulgado em Lima, que nos próximos dias Maduro será visto com alguns de seus compatriotas repatriados.

"Este voo faz parte do 'show' que Nicolás Maduro apresentará em uma emissora de rádio e televisão, buscando desqualificar à diáspora venezuelana no Peru, assim como a natureza das constantes demonstrações de solidariedade que o governo peruano prestou na área de migração e questões humanitárias", disse. "É um plano bem articulado do governo Maduro para classificar como mendigos os venezuelanos que residem no Peru."

Portas abertas

O voo foi anunciado pela Chancelaria da Venezuela. Ao todo, 89 venezuelanos, entre eles 22 crianças, pediram para serem incluídos no programa após passarem pela "dura realidade" no país andino, diz o governo Maduro. O "Retorno à Pátria" foi criado em abril por Maduro como forma de dar suporte aos venezuelanos que deixaram o país e agora desejam retornar. 

Na sexta-feira, o ministro venezuelano da Comunicação, Jorge Rodríguez, garantiu que seus compatriotas regressariam ao país após as recentes reformas econômicas adotadas por Maduro para lutar contra a hiperinflação, que este ano deve superar 1.000.000%, segundo o Fundo Monetário Internacional.

"Vou procurar um trabalho lá (na Venezuela), o governo prometeu nos ajudar", disse Miguel Materano, de 42 anos, que decidiu voltar diante da "má situação no Peru e da xenofobia" com os imigrantes venezuelanos.

Robinson Martínez, engenheiro mecânico de 32 anos, disse ter visto o anúncio do programa nas redes sociais há duas semanas e decidiu retornar com a filha, Victória, de oito anos, à Venezuela após não conseguir emprego no Peru. Sua mulher permanecerá no país andino devido a seu emprego em uma rádio peruana. "O Peru abriu as portas, mas não implementou nada que estava planejado. Apenas abriu seu coração", disse Martínez.

Segundo a Organização Internacional de Migração, 85% dos venezuelanos trabalham em condições informais no Peru. Ao todo, mais de dos 500 mil imigrantes da Venezuela residem no país andino, de acordo com estimativas do governo local. No último sábado, 25, o diretor de Comunidades Peruanas no Exterior do Ministério das Relações Exteriores do Peru, Enrique Bustamonte, afirmou que a viagem de retorno seria paga pela Venezuela.

No último sábado, 25, o Peru adotou uma restrição migratória para proibir a entrada de imigrantes sem passaporte no país. Na prática, a medida limita a entrada de venezuelanos, que enfrentam dificuldades para adquirir o documento, processo que pode levar vários meses na Venezuela. //ASSOCIATED PRESS, EFE

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