EFE/HUMBERTO MATHEUS
EFE/HUMBERTO MATHEUS

Dezenas de venezuelanos são presos após protestos em Maracaibo

Autoridades informaram que ao menos 95 pessoas envolvidas em atos de vandalismo durante manifestações foram detidas; presidente Nicolás Maduro diz que não 'permitirá protestos violentos'

O Estado de S. Paulo

28 Abril 2016 | 09h41

CARACAS - Dezenas de pessoas foram presas na noite de quarta-feira, 27, em Maracaibo - segunda maior cidade da  Venezuela - por cometerem atos de vandalismo durante protestos contra o racionamento de energia elétrica adotado pelo governo de Nicolás Maduro. Essa foi a segunda noite de protestos na região, depois de centenas de manifestantes protestarem pelo mesmo motivo na noite de segunda-feira.

"Ao menos 95 pessoas foram detidas por atos de vandalismo", informou no Twitter Biagio Parisi, secretário de Segurança e Ordem Pública do estado de Zulia, cuja capital é Maracaibo.

O governador de Zulia, Francisco Arias Cárdenas, disse que "nas últimas 48 horas" foram registrados protestos em 7 dos 18 distritos de Maracaibo, com 73 lojas atacadas. "Isto é um plano de desestabilização que cavalga sobre situações que devemos resolver", avaliou Cárdenas, acrescentando que ocorreram saques. "Sabemos que grupos de extrema direita financiam estes atos."

Cárdenas anunciou nesta quinta-feira se reunirá com "os comerciantes afetados, para ressarci-los e dar de novo a oportunidade de serem produtivos para nossa Estado", em alusão aos destroços e saques a comércios privados que foram reportados nas zonas dos distúrbios.

De acordo com o jornal regional "Panorama", os distúrbios se iniciaram com o protesto na segunda-feira passada pelos cortes elétricos "que superavam 24 horas", situação que se manteve nesta terça-feira em vários setores.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse na noite de quarta-feira que será instalada uma "Comissão Presidencial em Zulia" para atender as consequências da seca ao mesmo tempo que garantiu que não permitirá protestos violentos.

O presidente determinou que as forças armadas ajam para reprimir desordens e atos de vandalismo durante os protestos contra o racionamento. Segundo Maduro, a violência é alentada pela oposição para desestabilizar o governo socialista.

Outros atos. Além disso, nos Estados Aragua e Vargas, especificamente nas cidades de Maracay e La Guaira, respectivamente, também foram reportados bloqueios de ruas e queima de pneus.  Em Maracay, o jornal regional "El Século" reportou o fechamento de várias ruas em protesto pelos cortes de luz e saques em alguns comércios de venda de alimentos.

Já em La Guaira, cidade na qual se encontra o principal aeroporto que serve Caracas, foram reportados protestos por alimentos e fechamento da principal via de ligação com a capital venezuelana.

O secretário-executivo da aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba, disse em seu programa na emissora privada RCR que o governo "está explodindo o país" ao mencionar os distúrbios ocorridos em Maracaibo e La Guaira. 

Na semana passada, Maduro anunciou um plano de racionamento de energia em todo o país - com exceção da capital Caracas - diante do colapso da represa da Hidrelétrica de Guri, que fornece 70% da energia consumida na Venezuela.

O governador de Maracaibo admitiu que ocorreram falhas na aplicação do racionamento elétrico, que estipula cortes de energia durante quatro horas por dia. / EFE e AFP

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