Amir Cohen / Reuters
Amir Cohen / Reuters

Dia D para Netanyahu e seu futuro político

Premiê israelense enfrenta nesta quarta uma audiência por denúncias de corrupção

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2019 | 07h17

JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, enfrenta nesta quarta-feira, 2, um dia crucial em sua tentativa de permanecer no cargo, com uma audiência prevista pelas denúncias de corrupção e a continuação das complexas negociações para tentar formar um governo de união.

Netanyahu busca desesperadamente sobreviver politicamente e permanecer no posto de primeiro-ministro israelense.

Para alcançar a meta, ele precisa superar dois problemas: a possível acusação por corrupção nas próximas semanas e a estagnação do país após as eleições, que não permitiram que ele ou seu adversário, Benny Gantz, conseguissem maioria no Parlamento (Knesset).

Audiência

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Nesta quarta, o procurador-geral de Israel, Avichai Mandelblit, deve convocar uma audiência prévia à acusação contra Netanyahu, depois de ter anunciado a intenção de acusar o premiê de suborno, fraude e abuso de confiança.

Apenas os advogados de Netanyahu devem comparecer à audiência, a portas fechadas, a última oportunidade para convencer Mandelblit a não acusar o primeiro-ministro.

A audiência pode ter duração de até quatro dias por englobar três casos separados, nos quais Netanyahu é acusado de atuar para beneficiar empresários e admiradores em troca de vantagens ou de uma cobertura favorável da imprensa.

‘Nada a esconder’

O chefe de governo, que nega todas as acusações, pediu a transmissão ao vivo da audiência ao alegar que "não tem nada a esconder".

O procurador Mandelblit rejeitou a ideia e afirmou que o objetivo da audiência é convencer as autoridades legais, não o público.

Após a audiência, as deliberações do procurador sobre a apresentação ou não de acusações podem demorar semanas.

Dificuldade para formar novo governo

De modo paralelo à audiência, Netanyahu pode se ver obrigado a informar ao presidente de Israel, Reuven Rivlin, que não consegue formar um novo governo, depois de receber a missão há uma semana.

Como parte dos esforços para buscar um governo de união, os negociadores do partido conservador Likud, de Netanyahu, tentarão organizar novos encontros com representantes do partido centrista de Gantz, Azul e Branco. Este, no entanto, afirmou que não vê razões para as reuniões pois ainda não foram atendidas as condições prévias que deseja para negociar.

Netanyahu antecipou que as eventuais negociações de quarta-feira serão um "último esforço". Se ele informar ao presidente sobre sua incapacidade de formar o governo, Rivlin terá que decidir se solicitará a Gantz que faça uma tentativa.

Rivlin tem a alternativa de solicitar ao Parlamento que escolha um candidato a primeiro-ministro, que precisará de 61 votos dos 120 membros da Câmara.

Troca de acusações

Netanyahu e Gantz trocam acusações sobre o fracasso das negociações e estão longe de um entendimento, começando por quem deve ser próximo primeiro-ministro.

Gantz alega que, como seu partido conquistou uma cadeira a mais que o Likud no Parlamento nas eleições, ele deve ser o chefe de governo.

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Também afirma que o partido Azul e Branco não quer integrar um governo em que o primeiro-ministro pode ser acusado formalmente de corrupção.

Netanyahu alega que, apesar de seu partido ter um representante a menos no Parlamento, ele conta com o apoio da maioria dos pequenos partidos.

Advogados confiantes

Os advogados de Netanyahu afirmaram que apresentarão "provas sólidas" nesta quarta para mudar a opinião do procurador-geral e evitar que seu cliente seja oficialmente acusado de fraude, corrupção e abuso de confiança.

"Com base nos dados da investigação e nos elementos que possui a equipe de defesa do primeiro-ministro, acredito que há provas sólidas que farão com que o procurador mude de ideia", afirmou Ram Caspi, advogado de Netanyahu, ao chegar ao Ministério da Justiça.

Ele disse acreditar que a Justiça decidirá sobre o caso Netanyahu "de forma profissional, ignorando o ruído e a pressão midiática". "O primeiro-ministro não está acima da lei, mas tampouco abaixo." / AFP

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