Dia da Soberania incomoda vizinhos do Japão

O Japão celebrou oficialmente pela primeira vez neste domingo o 61º aniversário da reconquista de sua soberania, após a derrota na 2ª Guerra Mundial. O evento é uma intensificação da campanha nacionalista do primeiro-ministro Shinzo Abe.

GABRIELA VIEIRA, Agência Estado

28 de abril de 2013 | 15h21

Após assumir o cargo em dezembro do ano passado, Abe focou principalmente em melhorar a economia. Mas recentemente ele mudou o foco para perseguir sua agenda conservadora. O marco do aniversário é visto como um passo para angariar apoio para a revisão da Constituição japonesa, de forte inspiração pacifista, feita durante o período de intervenção dos Estados Unidos. O partido conservador de Abe denunciou durante anos que a atual Constituição foi imposta pelos norte-americanos, que ocuparam o país do final da 2ª Guerra Mundial, em 1949, até 1952.

No mês passado, o Conselho de Ministros aprovou um plano do partido para designar a data de 28 de Abril como o dia "da recuperação da soberania" no Japão e, neste domingo, a cerimônia foi o primeiro evento patrocinado pelo governo para lembrar o dia. Eventos similares foram organizados anteriormente de forma privada, entre alguns legisladores ultraconservadores, principalmente do Partido Liberal Democrático, de Abe.

As comemorações deste domingo estavam repletas de rituais nacionalistas, considerados símbolos do regime que levou o Japão a diversos confrontos com seus vizinhos asiáticos no Século XX. A cerimônia começou com o polêmico hino "Kimigayo" ("Reino de sua Majestade") e terminou com saudações para o imperador Akihito. Houve também a subida de um enorme sol decorativo no centro do palco.

Durante a cerimônia, Abe instou os Japoneses a marcar o dia em seus corações, comprometendo-se a fazer do Japão um forte país com orgulho nacional. Ele disse que há 61 anos atrás, os japoneses tinham grandes esperanças e compromisso para fazer um melhor Japão, acrescentando que hoje em dia as pessoas precisam atender a essas expectativas. "Nós somos obrigados a fazer um Japão forte e resistente para que nos tornemos um país com o qual o resto do mundo possa contar", disse o primeiro-ministro. Abe falou que está procurando fazer do Japão uma nação melhor e "mais bonita". Essa é a sua frase favorita, mas os críticos dizem que tem um tom nacionalista.

A cerimônia foi a última de uma série de eventos nacionalistas e observações que incitaram duras reações nos países vizinhos, que sofreram agressões do Japão nos tempos de guerra. As visitas de vários ministros e quase 170 legisladores ao santuário de guerra de Tóquio esse mês teriam enfurecido a China e a Coreia do Sul. O Santuário Yasukini relembra a morte de 2,3 milhões pessoas, incluindo 14 mandatários japoneses condenados por crimes de guerra.

Abe também provocou a China e a Coreia do Sul ao dizer que não há uma clara definição de "agressão" e que o Japão não irá "sucumbir a qualquer tratado". O primeiro-ministro ainda fez campanha para o reconhecimento das Forças de Autodefesa do Japão como um corpo nacional de pleno direito, para a revisão das desculpas japonesas para as atrocidades cometidas pelo seu Exército Imperial, antes e durante a 2ª Guerra Mundial, e para atualizar o status do imperador para chefe de Estado.

Celebrando 28 de abril como o dia de recuperação da soberania provocou duras críticas do sul da ilha de Okinawa, onde a ocupação dos EUA continuou até 1972. Na cidade de Ginowan, milhares de manifestantes fizeram um comício em um parque para protestar contra a cerimônia. Okinawa é atualmente o lar de cerca de três quartos das tropas norte-americanas alocadas no Japão, sob os termos de um pacto de segurança bilateral. O governador de Okinawa, Hirokazu Nakaima, boicotou a cerimônia deste domingo. As informações são da Associated Press.

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