Dia de eleição no Quênia tem 19 mortos

Autoridades e monitores internacionais temem nova onda de violência étnica como a que deixou mil mortos em 2007

NAIRÓBI, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2013 | 02h02

Grupos separatistas armados com revólveres, facões e arcos e flechas mataram ao menos 19 pessoas ontem durante as eleições presidenciais no Quênia, cinco anos depois de uma onda de violência pós-eleitoral que deixou mais de mil mortos. Em um episódio separado, dois locais de votação foram atacados na fronteira com a Somália.

Os principais candidatos condenaram a violência e monitores internacionais informaram que o comparecimento foi alto e ainda havia longas filas para votar no final do dia. Autoridades eleitorais pediram que a população não se sentisse intimidada pelas mortes e exercesse o direito ao voto normalmente. As tensões étnicas, que explodiram durante a crise de 2007, no entanto, continuam latentes.

Os dois principais candidatos, dos oito na disputa, são o primeiro-ministro Raila Odinga - derrotado nas tumultuadas eleições de 2007, e Uhuru Kenyatta. O presidente Mwai Kibaki, deixará o cargo após dois mandatos seguidos de cinco anos. A eleição é vista como um teste para a democracia queniana. Quarta maior economia da África Subsaariana, o país é aliado dos EUA no combate ao radicalismo islâmico na Somália.

O dia de votação começou violento. Ainda de madrugada, um grupo de separatistas do Conselho Republicano de Mombasa (CRM), que defende a independência de parte da costa queniana, matou quatro policiais com facões. Em retaliação, três militantes do grupo foram mortos pela polícia na cidade. Em Kilifi, houve mais 11 mortes. Seis funcionários do governo e dois civis, além de três militantes, foram mortos em Kilifi.

No fim da tarde, dois locais de votação em Garrissa, na fronteira com a Somália, foram invadidos por homens armados. Até o fim da noite não estava claro se havia reféns.

Kenyatta, que enfrenta um processo no Tribunal Penal Internacional por envolvimento nos massacres de 2007, é filho de Jomo Kenyatta, fundador do Estado queniano e presidente do país por 14 anos. Ele pertence à etnia kukuyu. Odinga, cujo pai foi vice-presidente e líder da oposição, é da etnia luo.

"A atmosfera que observamos é de calma",ressaltou o chefe da missão da União Europeia na eleição, Alojz Peterle. "As pessoas estão pacificamente na fila e com paciência. Esperamos que esse espírito reine até o final."

Eleitores, no entanto, temem uma nova onda de protestos. "Nosso futuro é incerto, mas esperamos a paz e dessa vez a vitória é nossa", disse Eunice Auma, eleitora de Odinga. "Se ele não vencer, temo que a violência eclodirá." / AP e REUTERS

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