Dia de manifestações na Síria deixa mais 15 dissidentes mortos

Governo de Bashar Assad responsabiliza 'gangues armadas' pelas mortes e intensifica repressão aos dissidentes

AP e Reuters, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2011 | 00h00

Milhares de manifestantes sírios voltaram às ruas ontem, no dia de preces dos muçulmanos, para pedir a renúncia do ditador Bashar Assad. Mais uma vez, as forças de segurança reprimiram os protestos com violência, e ao menos 15 pessoas, 2 delas crianças, morreram, segundo a oposição. Os protestos já levaram à morte de mais de 1,4 mil pessoas desde março.

De acordo com o Comitê de Coordenação Local (CCL), uma entidade dissidente síria, as mortes aconteceram em Al-Kasweh e Barzeh - dois distritos de Damasco - e nas cidades de Hama e Homs. Milhares de pessoas foram às ruas também em Deraa, o berço da revolta, Aleppo e no leste e noroeste do país.

"Nossa revolução é forte! Assad perdeu a legitimidade", gritavam os manifestantes de Zabadani, outro subúrbio da Grande Damasco. Em Deraa, os ativistas pediram que os moradores da capital se juntem aos protestos.

Na TV estatal, o governo responsabilizou "gangues armadas" pelas mortes em Barzeh. Desde o início da revolta, jornalistas ocidentais estão proibidos de entrar no país.

Na quinta-feira, o Exército sírio lançou uma ofensiva a várias cidades do norte do país, o que fez mais 1,5 mil pessoas fugirem para a Turquia. Durante a semana, Assad fez um discurso no qual alertou para as consequências econômicas da revolta.

Diplomacia. Ainda ontem, a União Europeia aumentou as sanções contra líderes do regime. "Não ficaremos parados enquanto a violência é usada contra o povo sírio", disse o secretário de Relações Exteriores britânico, William Hague,

Já a Turquia manifestou ao governo sírio preocupação com as operações próximas da fronteira. "Esperamos que a Síria saia bem dessa situação. Faremos o possível para ajudar", disse o chanceler Ahmet Davutoglu.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, criticou a repressão: "Sem que os ataques acabem, veremos um aumento nos conflitos."

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