EFE|DANIEL DAL ZENNARO
EFE|DANIEL DAL ZENNARO

Dia de silêncio eleitoral à véspera da votação legislativa na Itália

Força Itália e Liga Norte atacam o Movimento 5 Estrelas que, segundo as pesquisas, pode se confirmar como o maior partido do país, com 27,8% dos votos

O Estado de S.Paulo

03 Março 2018 | 14h54

ROMA - O "silêncio eleitoral" tomou conta da Itália neste sábado, 3, na véspera de eleições legislativas nas quais se prevê um novo avanço dos partidos populistas e de extrema-direita, e das quais pode surgir um parlamento sem maioria estável.

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Depois de dois meses de uma campanha dominada por temas vinculados aos imigrantes, à insegurança e a uma recuperação econômica cujos efeitos as pessoas ainda não percebem, qualquer comentário na imprensa está proibido até o fechamento das seções eleitorais às 23 horas (19 horas de Brasília) no domingo.

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Silvio Berlusconi, cuja coalizão de direita e extrema-direita lidera as últimas pesquisas, não tem, no entanto, uma maioria segurada.

Depois de sua única reunião pública conjunta, realizada na quinta-feira em um cinema em Roma, os líderes da heterogênea coalizão de direita, que lidera as pesquisas com 37% das intenções de voto, convocaram seus partidários separadamente.

Berlusconi, o líder do Força Itália (centro-direita), tachou em uma de suas emissoras o Movimento 5 Estrelas (M5E, antissistema) de "seita louca" e anunciou "a total reorganização do Estado italiano".

O xenófobo Matteo Salvini, da Liga Norte (extrema direita), também atacou o M5E em Milão, considerando que nas pesquisas está "supervalorizado", e prometeu melhores condições de trabalho para as forças de segurança.

O programa comum da coalizão de direita, integrada também pela pós-fascista Giorgia Meloni (Irmãos da Itália), prevê reduções em massa de impostos e uma firmeza extrema com imigrantes.

No entanto, a seus líderes tem custado esconder suas rivalidades e seus desacordos internos, especialmente sobre a questão europeia.

A apenas dois dias da votação, o atual presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, aceitou oficialmente ser o candidato de Silvio Berlusconi para liderar o país e, de algum modo, substituir, o magnata. Até 2019, o empresário é inelegível para cargos políticos em razão de uma condenação por corrupção.

O homem que tem boas relações com todo o mundo, que se move como um peixe dentro d'água nas instituições europeias, é a carta vencedora do ex-premiê, de 81 anos.

Mas Salvini também reivindica este cargo, assegurando que a Liga Norte ficará à frente do FI. A coalizão, porém, não tem garantia de que vá obter a maioria absoluta no Parlamento.

O atípico M5E, sem ideologia e disposto a romper com a tradicional bipolaridade entre direita e esquerda, segundo as pesquisas, se confirmaria como o maior partido do país, com 27,8% dos votos. 

O movimento, fundado em 2009 por Beppe Grillo, encerrou sua campanha na sexta-feira com uma grande manifestação no coração de Roma.

O líder do governista Partido Democrático (PD), Matteo Renzi, que teria entre 22% e 23% das intenções de voto, percorreu toda Itália para ilustrar as conquistas de seu governo e pedir que a coalizão de centro esquerda liderada por seu partido não seja punida com o voto de domingo, como muitos preveem.

Acusado de ser o responsável por esse desastre, Renzi encerrou a campanha em Florença, sua cidade, onde ainda goza de popularidade.

O atual chefe do governo em fim de mandato, Paolo Gentiloni, também do PD, elogiou os sucessos alcançados em um ano, graças a melhores resultados econômicos e a seu estilo moderado e discreto. / AFP

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