Dia de violência deixa ao menos 12 mortos em Bagdá

Linha Fina: Eventos ocorrem em meio as pressões para que o primeiro-ministro interino Ibrahim al-Jaafari renuncieUm carro bomba explodiu nesta terça-feira em uma área de maioria xiita, na região leste de Bagdá, matando pelo menos dez pessoas e deixando 28 feridas, informou a polícia. Outra explosão matou uma mulher e seus dois filhos na capital.A violência aconteceu logo após o Exército americano reportar o dia mais violento para as forças de coalizão em quase três meses. Dez soldados americanos morreram, incluindo cinco marines, mortos em um acidente no oeste do país. Dois marines e um marinheiro ainda estão desaparecidos depois que um caminhão capotou perto da base aérea de Asad. O carro bomba explodiu no bairro pobre de Habibiyah, de maioria xiita, e danificou vários veículos e estabelecimentos comerciais no local. O caos aumentou e militantes do exército do clérigo radical Muqtada al-Sadr deram tiros para o alto para dispersar a multidão. Uma outra explosão no bairro de Nova Badgá, no começo da manhã, matou uma mulher e seus dos filhos, de 9 e 12 anos. O terceiro menino, de 13 anos, ficou ferido, segundo a polícia.Ao norte da capital, outro carro bomba atacou um comboio que levava o filho de um membro do conselho da cidade de Samara, matando um segurança, o motorista e deixando três outros guardas feridos. O rapaz, de 19 anos, não sofreu ferimentos. CorposAinda nesta terça-feira, quatro corpos foram encontrados por policiais iraquianos, todos aparentemente vítimas da violência sectária que tomou o país nos últimos meses. Dois deles foram encontrados perto de uma estrada no oeste de Bagdá, no bairro sunita de Khadra. Ambos estavam algemados e tinham sinais de tortura. Outro corpo, encontrado no distrito de Shurta, tinha marca de tiros na cabeça.Indefinição políticaO aumento da violência tornou as negociações para formar o novo governo ainda mais urgentes. Políticos iraquianos estão em um impasse há meses, discordando principalmente sobre quem deve ser o novo primeiro-ministro do país. Sunitas e curdos pediram ao xiitas que substituam Ibrahim al-Jaafari, atual primeiro-ministro, como seu candidato. Na semana passada, dois importantes políticos xiitas também pediram que Jaafari deixe a disputa. Em visita surpresa a Bagdá neste final de semana, a secretária de Estado americana Condoleezza Rice e o chanceler britânico Jack Straw endossaram o coro dos que pedem a renúncia do primeiro-ministro.Ainda assim, cerca de 2.500 pessoas marcharam em apoio ao atual primeiro-ministro na cidade do clérigo xiita Al Sadr, cujo grupo é o único que parece se manter leal a Jaafari. Os manifestantes exigem a aceleração do processo de formação do governo e levaram um caixão vazio com as palavras "Constituição" e "Processo Político".Adnam al-Dulaimi, um político sunita iraquiano, disse nesta terça-feira que os sunitas insistiriam na nomeação de um outro candidato para o cargo de primeiro-ministro. A resposta do bloco xiita, completou ele, deve vir nos próximos dias.ViolênciaO crescimento da violência entre xiitas e sunitas nos últimos dias levou a um incremento no número de mortes de civis iraquianos. Segundo um levantamento da Associated Press, ao menos 1.308 pessoas morreram em março em eventos paralelos às ações militares.A contagem da AP mostra uma espiral de mortes nos últimos meses. Em dezembro, foram 375 entre civis assassinados, número que passou para 608 em janeiro e 741 em fevereiro.

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