Dia de violência deixa pelo menos 30 mortos no Iraque

Pelo menos 30 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas em choques envolvendo forças da coalizão e manifestantes e rebeldes nas cidades de Najaf (sul do Iraque) e Cidade Sadr (próxima à capital) ocorridos neste domingo. Entre os mortos estão nove soldados - oito americanos e um salvadorenho. As outras 20 pessoas mortas no incidente são xiitas iraquianos. Ontem, soldados americanos foram atacados na província de Ambar. Dois militares morreram, um deles na hora. O outro, socorrido com ferimentos graves, faleceu hoje. O incidente mais grave ocorreu na cidade sagrada de Najaf. Ali uma multidão de xiitas tentou tomar de assalto a Base Al-Andalus ocupada por forças espanholas e de outros países de fala espanhola (comandados pela Espanha), para libertar um clérigo radical que, supunham, estaria preso ali. Um relato oficial diz que os manifestantes jogaram pedras e atiraram nas forças comandadas pelos espanhóis, que reagiram a tiros. Dezenas de policiais iraquianos tentaram deter a multidão, mas se afastaram rapidamente com a chegada de milicianos das Brigadas de Al-Mahdi, leais ao clérigo xiita radical Muqtada al-Sadr e mais bem armados. "Libertem Mustafa Yaqub", gritava a multidão. As autoridades espanholas disseram nada saber sobre o paradeiro de Yaqub, apontado como lugar-tenente de Al-Sadr (que há várias semanas vem incitando os xiitas à rebelião contra as forças de ocupação do país). Apoiadas por helicópteros americanos, as forças sob comando espanhol conseguiram repelir o ataque. Segundo um porta-voz do Exército espanhol, dois soldados morreram, um americano e um salvadorenho, e 14 salvadorenhos ficaram feridos. Inicialmente, falava-se em quatro salvadorenhos mortos. "Foi uma carnificina", contou o iraquiano Ali Hussein, referindo-se aos 20 mortos iraquianos e às dezenas de feridos. Foi o mais grave incidente entre forças da coalizão e manifestantes iraquianos. O administrador americano do Iraque, L. Paul Bremer, advertiu que não vai mais tolerar esse tipo de protesto. Em Cidade Sadr, baluarte do líder xitta Muqtada al-Sadr, milicianos leais a ele atacaram um posto policial e edifícios públicos, provocando a intervenção da coalizão. "A ordem foi restaurada, mas custou a morte de sete americanos e ferimentos em 24", diz comunicado do Exército americano.

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