Dia de violência no Iraque deixa ao menos 22 mortos

Um carro-bomba explodiu no fim da tarde de hoje num mercado de rua numa área xiita do bairro predominantemente sunita de Dora, sudoeste de Bagdá, matando 22 pessoas e ferindo pelo menos 28, segundo a polícia local. Crianças aterrorizadas gritavam e mulheres que perderam parentes praguejavam contra os terroristas, em meio a destroços e poças de sangue.O veículo estava estacionado no local, mas as autoridades acreditam que o alvo eram policiais de uma delegacia situada a apenas 30 metros do local dos explosivos, detonados por controle remoto. Vários carros e lojas ficaram em chamas. Um iraquiano suspeito de ter acionado o comando da bomba foi preso nas imediações do mercado.Por ter população mista xiita e sunita, o bairro de Dora se tornou um dos mais perigosos de Bagdá depois da queda de Saddam Hussein. Quase diariamente explodem carros-bomba ou artefatos deixados diante de lojas ou restaurantes.Pelo menos outras 8 pessoas foram mortas e mais de 30 feridas em outros atentados e ataques de franco-atiradores hoje em Bagdá e na cidade de Baquba, a nordeste, onde bombas explodiram diante de salões de beleza e lojas de bebidas alcoólicas - alvos de grupos extremistas islâmicos que se opõem à influência ocidental.Ataques com carros-bomba são geralmente obra de grupos extremistas sunitas, contrários ao governo dominado por xiitas e curdos e à ocupação americana do país.Desde as eleições parlamentares de dezembro, caiu sensivelmente o número de mortos em atentados, especialmente por causa da ampla oposição da população e dos líderes religiosos sunitas, interessados em obter um acordo com xiitas e curdos para a formação de um governo que atenda também a seus interesses. No entanto, persiste o impasse nas negociações entre os grupos políticos e religiosos iraquianos. Hoje, o secretário britânico de Relações Exteriores, Jack Straw, fez um chamado aos líderes iraquianos para que entrem num acordo que permita a formação de um governo de união nacional, no qual todas as vertentes estejam representadas."Este é um momento crucial para o povo do Iraque", disse Straw após reunir-se com o presidente iraquiano, Jalal Talabani. "A comunidade internacional, particularmente aqueles de nós que desempenharam um papel na libertação do Iraque, obviamente têm interesse num Iraque próspero, estável e democrático".Mas a tensão sectária só tem aumentado. Hoje, o corpo do porta-voz do partido sunita Conselho do Diálogo Nacional, Saad Jarallah, foi enterrado, quatro dias depois dele ter desaparecido a caminho do trabalho. O corpo foi encontrado crivado de balas num necrotério da capital."Depois desse incidente, não existe escolha para os iraquianos, a não ser se proteger e confrontar todos os agressores", reagiu o líder do partido, Khalaf al-Ilyan. "Eles não devem esperar proteção do governo".A ministra da Migração iraquiana, a curda Suhaila Abed Jaafar, escapou hoje de um atentado a bomba contra seu comboio em Bagdá. Três de seus guarda-costas ficaram feridos.Foguetes foram disparados hoje contra uma base britânica em Amara, sem causar feridos. Outra base britânica em Basra havia sido atingida por quatro foguetes na noite de segunda-feira.Os ataques ocorrem em meio a uma crescente revolta popular envolvendo a recente divulgação de um vídeo mostrando soldados britânicos espancando jovens manifestantes iraquianos durante um protesto em 2004 em Amara.

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