Dia mais sangrento em 2 anos tem 111 mortos e 300 feridos no Iraque

Onda de ataques foi reivindicada pelo braço local da Al-Qaeda, que vem ganhando terreno após a retirada dos EUA

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2012 | 03h05

Cerca de 100 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas em uma série de 40 ataques coordenados em todo o Iraque, no dia mais sangrento do ano no país. O braço da Al-Qaeda na região reivindicou os atentados, a maioria contra prédios do governo xiita. Os iraquianos têm sofrido com o aumento dos conflitos sectários desde a retirada das tropas americanas, em dezembro.

Explosões simultâneas ocorreram em 12 cidades de 6 províncias do Iraque. Em mensagem divulgada no domingo, o líder da Al-Qaeda no Iraque, Abu Bakir al-Baghdadi, prometeu lançar uma nova ofensiva. Segundo ele, com a retirada dos americanos, o grupo está se reorganizando. A onda de atentados coincidiu com o início do Ramadã, mês sagrado do islamismo.

"Estamos voltando a dominar territórios que costumávamos controlar", disse. Ele elegeu como alvo o governo xiita iraquiano. Analistas dizem que o grupo busca ocupar o vácuo de segurança deixado pela saída das forças dos EUA, aproveitando a divisão no governo em Bagdá e o levante de rebeldes sunitas na Síria para semear instabilidade no Iraque.

Mohamed Munim, de 35 anos, estava trabalhando em um escritório do Ministério do Interior no bairro xiita de Sadr City, em Bagdá, quando um carro explodiu do lado de fora. "Foi uma explosão ensurdecedora", contou. "As únicas coisas de que me lembro são a fumaça e o fogo."

Para o analista iraquiano Khalid Fadel, os ataques aumentam as preocupações em torno da capacidade do governo de conter a violência sectária sem os americanos. "A Al-Qaeda evidenciou a piada que é a capacidade de segurança do governo", disse Fadel. "Era muito claro que eles atacariam durante o Ramadã."

O pior ataque ocorreu na cidade sunita de Taji. A polícia afirma que bombas plantadas em cinco casas xiitas explodiram uma hora após o nascer do sol. Em seguida, um homem-bomba detonou seu cinto de explosivos no meio de policiais que correram para ajudar. No total, 41 pessoas morreram.

Em outro ataque, três carros com homens armados chegaram a uma base na cidade de Udaim, nordeste do Iraque, e atiraram nos soldados: 13 morreram e os atiradores fugiram. Outros ataques ocorreram em Duluiyah, Tuz, Dujail, Balad, Baqba, Mossul, Kirkuk e em duas cidades da Província de Diwanyia. / AP e NYT

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