Diálogo com Coréia do Norte pode ser retomado em semanas

O representante dos Estados nas negociações com a Coréia do Norte, Christopher Hill, disse nesta sexta-feira, 23, que a próxima rodada de conversas pode ser retomada nas duas próximas semanas. Além disso, a Coréia do Sul expressou sua confiança de que a desnuclearização da Coréia do Norte seja confirmada até a data prevista de 14 de abril, embora com a passagem dos dias cresçam as chances de que esse prazo seja estendido.O ministro de Exteriores sul-coreano, Song Min-soon, disse nesta sexta-feira, 23, que o problema "técnico" que impede a transferência de dinheiro à Coréia do Norte deve ser resolvido na próxima semana, motivo pelo qual o acordo poderia ser aplicado na data prevista.O diálogo foi suspenso na quinta-feira, após vários dias em que os negociadores basicamente perderam o tempo em Pequim.A interrupção deve-se à saída precipitada norte-coreana quando restam pouco mais de vinte dias para o fim do prazo no qual Pyongyang deve fechar seu reator nuclear de Yongbyon em troca de um milhão de toneladas de petróleo.É o que prevê o acordo assinado em 13 de fevereiro em Pequim por representantes das duas Coréias, China, Rússia, EUA e Japão, que agora estão esperando que essa transferência de dinheiro chegue a Pyongyang para que o regime stalinista volte à mesa de negociações.O representante da anfitriã China, Wu Dawei, afirmou que as negociações serão retomadas "o mais rápido possível".Até agora, as posturas mais otimistas têm sido as assumidas pelos Estados Unidos, que querem obter uma grande vitória diplomática, e a da Coréia do Sul, que aposta na reconciliação intercoreana e, na próxima semana, retomará seu envio de ajuda humanitária a Pyongyang.Do outro lado está o governo nacionalista de Tóquio, grande inimigo do regime stalinista de Pyongyang e que, desde o começo, ligou a resolução do assunto à do conflito em torno dos japoneses seqüestrados nos anos 70 e 80.Enquanto Washington e Seul reafirmaram hoje seu compromisso com o acordo para o fim do programa nuclear de Pyongyang, Tóquio repetiu suas críticas e tachou de "não construtiva" a postura norte-coreana nas negociações, nas palavras de seu ministro de Exteriores, Taro Aso.Em uma conversa por telefone, o sul-coreano Song e a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, concordaram em que o acordo de 13 de fevereiro deve continuar sendo aplicado apesar de o encontro de Pequim "ter sido temporariamente interrompido por causa de problemas técnicos para transferir o dinheiro".A Coréia do Norte se nega a continuar na mesa de negociações até que seja confirmada a transferência de US$ 25 milhões que permaneceram congelados desde 2005 no Banco Delta Asia (BDA) a pedido dos EUA, que agora concordaram com a liberação da verba.Esse montante ficou congelado durante 19 meses devido a um pedido do Departamento do Tesouro americano à Autoridade Monetária de Macau, em função do suposto envolvimento de Pyongyang na lavagem de dinheiro.O chanceler sul-coreano acredita que o problema do Banco Delta Asia seja técnico e de procedimento, e não deva afetar a decisão política.O tempo corre e é cada vez menor a margem para que a Coréia do Norte possa fechar seu reator na presença de observadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), sessenta dias depois de assinar o acordo de Pequim.O negociador chinês Wu pediu compreensão se o acordo não puder ser fechado no prazo previsto devido aos problemas surgidos na última hora. Hill já deu a entender que, na prática, o prazo para concluir o desmantelamento nuclear da Coréia do Norte engloba o todo o ano de 2007.Enquanto observadores sul-coreanos não descartam que seus vizinhos do norte estejam adotando a tática "do gato e rato" para atrasar o fim do programa nuclear, outro analistas atribuem a demora ao fato de Washington não ter criado as condições necessárias para a transferência de direito.

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