John Vizcaino/Reuters
John Vizcaino/Reuters

Diálogo com Farc eleva aprovação de líder colombiano

Popularidade do presidente Juan Manuel Santos sobe 3 pontos e chega a 51% após anúncio de negociações

O Estado de S. Paulo,

31 de agosto de 2012 | 21h16

BOGOTÁ - A primeira pesquisa de opinião feita da Colômbia após o anúncio do presidente do país, Juan Manuel Santos, do novo processo de paz entre as autoridades de Bogotá e as Farc mostrou que a aprovação do líder colombiano subiu 3 pontos porcentuais - elevando-se a 51% - depois de uma brusca queda ter levado sua popularidade ao nível mais baixo nos dois anos de seu governo. A recuperação é atribuída ao recente anúncio de conversações com a guerrilha.

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Para Jorge Lodoño, gerente-geral do instituto Invamer Gallup, que fez a sondagem entre o sábado e a quarta-feira - dois dias depois da divulgação das negociações previstas para outubro -, "o anúncio dos diálogos com a guerrilha tem um bom efeito sobre a maioria dos colombianos, que veem as negociações positivamente".

O especialista afirmou que o aumento na popularidade do presidente - cuja aprovação ao governo também se elevou, de 52% a 54%, em relação ao último bimestre - deve-se ainda a viagens que o líder tem feito pelo país e sua aproximação a políticas que promovem a cidadania.

O analista político colombiano Carlos Medina Gallego, historiador do Centro de Investigação de Segurança e Democracia da Universidade Nacional da Colômbia, disse ao Estado que a reforma ministerial promovida por Santos para o "segundo tempo" de seu governo também contribui para elevar sua popularidade.

De acordo com Medina, Santos buscou afastar personalidades ligadas ao ex-presidente Álvaro Uribe e "associadas ao narcotráfico e ao paramilitarismo", o que a população colombiana viu com bons olhos. "Santos quer distância disso. Os novos ministros correspondem às elites políticas tradicionais."

Medina afirmou que o presidente também tenta "ajustar suas políticas sociais e econômicas" com o novo gabinete. O ex-sindicalista Luis Eduardo Garzón, por exemplo, cujo cargo exato não foi definido ainda, foi chamado ao Executivo para colaborar com o "diálogo social" e a "pedagogia para a paz", segundo definiu o presidente.

Assim como Medina e Lodoño, o analista colombiano Andres Molano Rojas, diretor do Observatório de Política e Estratégia da América Latina, afirma que o anúncio das negociações de paz com as Farc é o principal fator de aumento na popularidade do presidente colombiano.

"Seria irresponsável (da parte de Santos) manejar essas conversações com fins puramente eleitorais", disse, comentando a possibilidade de o líder usar a medida para se beneficiar em sua provável candidatura à reeleição, em 2014. "É o futuro de um país em um conflito armado que está em jogo."

Negociações. A sondagem do instituto Invamer Gallup constatou ainda que a aprovação dos colombianos às conversas de paz com as Farc aumentou de 52%, em junho, para 60%.

De acordo com a pesquisa, a porcentagem da população que se opõe o diálogo e aposta em uma derrota militar caiu nos últimos dois meses, de 44% para 37%.

O levantamento - que entrevistou 1,2 mil pessoas - indica que o apoio às negociações de paz não era tão sólido desde julho de 2009. Sobre as consequências de um eventual processo de paz, porém, as opiniões estão divididas. Segundo a sondagem, 48% dos colombianos apoiam a aproximação com as Farc e 49% rechaçam as conversas.

Explosões

Pelo menos cinco policiais e dois civis - entre eles um fotógrafo do jornal El Tiempo - ficaram feridos nesta sexta-feira, 31, por duas explosões ocorridas em Cali, no sudoeste colombiano. Até agora, a responsabilidade das Farc - que têm presença muito ativa nos arredores da cidade - não foi confirmada nem descartada pelas autoridades locais.

A primeira explosão foi de um "artefato de baixa potência" e feriu um policial, afirmou Fabio Castañeda, chefe da polícia da região. Vinte minutos depois, quando autoridades e jornalistas haviam chegado ao local, houve a segunda detonação. "Os feridos estão bem."

Os especialistas consultados pelo Estado afirmaram ser "normal" que atentados organizados pela guerrilha continuem ocorrendo durante negociações de paz, lembrando que isso já ocorreu em outras ocasiões

"A situação de guerra continua normalmente", disse Medina, que assim como Molano, ressaltou que as negociações de paz ainda não começaram e a expectativa é que, assim que sejam iniciadas, um cessar-fogo seja firmado entre o governo colombiano e os guerrilheiros.

Guilherme Russo, O Estado de S. Paulo, com AFP e EFE 

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