'Diálogo é única solução' para a crise política no Líbano, diz Hariri

Premiê volta ao país após Hezbollah e oposição deixarem gabinete e derrubarem governo

Associated Press

14 de janeiro de 2011 | 15h29

BEIRUTE - O primeiro-ministro interino do Líbano, Saad Hariri, disse nesta quarta-feira, 14, que o diálogo é a única forma de resolver a crise política na qual o país mergulhou na quarta-feira, quando o bloco da oposição, que inclui o partido radical xiita Hezbollah, deixou o gabinete ministerial e derrubou o governo.

 

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De acordo com o premiê, "não há alternativa a não ser o diálogo". Os comentários de Hariri são os primeiros desde o colapso. Ele voltou nesta sexta-feira ao país e foi apontado pelo presidente libanês, Michel Suleiman, para permanecer no cargo até que um novo líder seja escolhido. As consultas com os parlamentares começam na segunda-feira.

 

A decisão do Hezbollah de deixar o governo é uma represália à relutância do governo de Hariri em protestar contra as investigações da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o assassinato do ex-premiê Rafik Hariri, pai do atual líder, em 2005.

 

Fontes ligadas ao tribunal da ONU e o próprio chefe do Hezbollah, Nassan Nasrallah, acreditam que membros do grupo radical serão indiciados por participação no crime. O Hezbollah nega envolvimento e afirma que o assassinato de Hariri, em um atentado a bomba, foi armação de Israel. O grupo ainda acusa Saad Hariri de ter cedido "às pressões do Ocidente".

 

O Hezbollah, apoiado pelo Irã e pela Síria, é atualmente a maior força militar do Líbano. O grupo também quer expandir seu poder político e por isso quer colocar um aliado no cargo de primeiro-ministro. Políticos vinculados ao grupo afirmam que seria inútil mater Hariri no poder, mas membros da coalizão governista afirmam que não há opção. O atual premiê tem grandes índices de popularidade.

 

A composição do governo libanês é sempre fruto de prolongadas negociações e é formado por 30 ministros. O atual bloco opositor é formado por xiitas e cristãos, enquanto o governista, do premiê Hariri, é composto por sunitas e cristãos radicais.

 

A lei libanesa prevê que todo governo deve incluir representantes de todas as religiões do país - xiitas. sunitas, druzos e cristãos. Com a saída da oposição e do Hezbollah, a coalizão torna-se ilegal, já que não tem representantes xiitas.

 

O Líbano é um Estado sectário, já que não existe maioria religiosa. Os cristãos, sunitas e xiitas representam aproximadamente um terço da população cada. Censos não são realizados, o que inviabiliza a determinação de números exatos.

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