Diálogo emperra e facções se radicalizam em Honduras

Partidários de Zelaya ameaçam parar país com greve geral, mas rivais prometem resistência

Roberto Lameirinhas, O Estadao de S.Paulo

23 de julho de 2009 | 00h00

A tensão e o impasse político aberto com o golpe do dia 28 em Honduras começam a dar lugar à impaciência e à radicalização entre os grupos liderados pelo presidente deposto, Manuel Zelaya, e o presidente de facto, Roberto Micheletti. Acompanhe online as negociações e leia análises da crise políticaNo front diplomático, as negociações mediadas pelo presidente costa-riquenho, Oscar Arias, davam ontem mais sinais de fadiga. A nova proposta, anunciada por Arias ontem como sua última opção, pede a restituição de Zelaya em dois dias - prazo que se esgota amanhã -, além da formação de um governo de união até o final de seu mandato, em janeiro. A delegação do governo de facto disse que enviaria a nova proposta de Arias ao Congresso e ao Judiciário. O chanceler Carlos López Contreras insistiu que o governo de facto não aceitará a volta de Zelaya, mas Micheletti declarou que esperará o retorno da delegação antes de se pronunciar. Zelaya, por sua vez, disse à rede Telesul que a proposta de Arias "praticamente fracassou". Ontem, partidários de Micheletti promoveram uma grande manifestação de apoio ao governo golpista em Tegucigalpa. Ao mesmo tempo, seguidores de Zelaya, sob a organização de entidades de esquerda, preparavam uma greve geral para hoje - no que seria o início das mobilizações para a "insurreição", pedida pelo líder deposto para preparar o seu "retorno triunfal".A julgar pelo clima da manifestação pró-Micheletti de ontem, a possibilidade de um confronto entre as duas facções é cada vez maior. "Que (Zelaya) venha! Estamos prontos para defender a verdadeira democracia em Honduras", disse ao Estado o estudante de engenharia Carlos Ordaz, de 23 anos."Chávez está por trás da campanha de difamação de Honduras na comunidade internacional e busca um pretexto para intervir aqui", prosseguiu Ordaz. "Nós estamos dizendo a ele um retumbante ?não?."Zelaya promete voltar a Honduras "a qualquer momento" a partir de hoje para retomar o poder. Sua primeira tentativa de retorno, no dia 5, num avião venezuelano, foi frustrada pelo Exército, que bloqueou a pista do aeroporto de Tegucigalpa para impedir a aterrissagem.Por causa do uso do avião venezuelano, Micheletti deu, na terça-feira, um prazo de 72 horas para que funcionários da embaixada venezuelana deixem o país. A expulsão acirrou mais os ânimos entre Tegucigalpa e Caracas. A chancelaria venezuelana anunciou que não acatará a ordem, vinda de um governo "ilegítimo". No início da crise, Chávez anunciou que consideraria "ato de guerra" qualquer ação contra seu pessoal diplomático em Honduras.No meio da disputa política, empresários já preveem um futuro sombrio. "Nessa mesma época em 2008, vendemos 450 pacotes turísticos para as ruínas maias e o litoral", disse Enrique Toro, proprietário de uma agência de turismo na capital. "Até agora não vendemos mais do que 50."

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